Legião urbana, louca e mutante

Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que vão conseguir vencer?

O fanboy da Marvel aqui precisa mais uma vez achar uma frase pra significar uma nova surra dada, desta vez na tevê, quando ‘Legion, nova série da FX sobre mutantes, se depara com ‘Powerless’, série cômica com referências da DC Comics que também acaba de estrear em terras ianques.

Chega a ser impressionante a capacidade da Marvel, hoje, de ser melhor em TUDO ao cuidar das suas propriedades intelectuais quando partem do papel para a telinha ou telona.

Cá estou eu, babando ovo lembrando do incrível primeiro episódio, do meu ceticismo inicial e daquela embasbacante primeira hora de conteúdo estupidamente bem trabalhado, escrito, dirigido e filmado. A fotografia e o trabalho visual da série estão em outro patamar de qualidade que chega a ser impressionante – mesmo sabendo que esta é uma série chancelada pela Marvel e desenvolvida em conjunto com a mesma.

Estava ao final do piloto, depois de tê-lo assistido de novo, ainda boquiaberto com o que acabara de assistir. Aí vejo o segundo episódio e tudo o que achei não só se confirma como melhora, amplia o que achei e me deixa ainda mais estarrecido com essa série. Hoje, no quinto episódio, não consigo imaginar melhor série sobre o universo Marvel.

Um sensacional trabalho de construção de narrativa, com trilha sonora de filme antigo de ficção científica envolvente e cativante. A fotografia, a engenharia de som e edição são absolutamente brilhantes. Nem por um segundo encontra-se uma mísera chance de desgrudar da tela, hipnotizado pela ansiosa procura pelo que está por vir depois. Poucas vezes lembro ter tido tanta vontade de rever cena a cena, cada câmera lenta, movimento e corte a procura de um momento ‘ah, ha!’… que beleza ver algo como ‘Legion’ sendo apresentado e ampliando o cânone do Universo X e da Marvel no mundo televisivo.

Diagnosticado com esquizofrenia, David Haller passa sua vida indo e saindo de hospitais psiquiátricos, dopado e constantemente incomodado com suas lembranças picotadas e traumas esperando ebulir a qualquer instante. Ao encontrar uma paciente especial, David embarca em uma convoluta e inebriante saga de verdades e inverdades, conspirações e tramas, nunca sabendo o que é real do que não é. Não confiando em sua memória, como conciliar e compreender o que está acontecendo agora?

Através de uma simples tese de que, talvez, as vozes e visões de David possam, na verdade, ser reais, acompanhamos nesse primeiro episódio a confusa, fantástica caminhada do protagonista – e diversos personagens incríveis – em busca de respostas. Vejam ‘Legion‘ porque não há nada na televisão que chegue perto da absurda qualidade e apresentação do Universo X ou qualquer outro conteúdo televisivo que trate de super-poderes.

Nos quadrinhos, David é fruto de um caso fortuito entre Charles Xavier e sua mãe, Gabrielle Haller. Um ser com poderes telepáticos inigualáveis, como bem disse Moira MacTaggertLegião é a personificação da instabilidade e total falta de controle de um homo superior nível ômega com milhares ou milhões de personalidades e poderes sem limite.

Legião é apresentado primeiro numa série chamada ‘Legion Quest’ que serve de prólogo pra a saga que é, pra mim e muitos outros, o melhor evento Marvel nos quadrinhos de todos os tempos: Era do Apocalipse. Ao tentar voltar no tempo para matar o Magneto e ajudar seu pai a cumprir sua promessa de paz entre mutantes e humanos, um grupo de X-Men o segue e os acontecimentos geram uma linha temporal nova onde Apocalipse reina supremo.

Mas a série que merece imenso destaque nesse momento que falamos de Legião é a X-Men Legacy Vol. 2. Apresenta o Legião pelo que ele é: o mais poderoso e instável telepata que o Universo X já viu. E, com seu indomável espírito e batalha infindável contra seus próprios demônios e os que os esperam fora da sua cabeça.

Não há qualquer dúvida que ‘Legion’ representa um passo diferente e definitivo da Marvel na construção do seu legado televisivo. Mostra que é possível fazer uma série de gibis adulta sem tratar o expectador como criança. Ao focar na construção temporal e ambiental em torno da instabilidade mental do seu protagonista, a série consegue apresentar algo novo e completamente cativante na forma de se explorar o papel do super-poderoso, algo que já ficou batido e lugar comum em tantas outras frentes.

Estou ficando maluco de saber que vou ter de esperar tanto tempo para ver o próximo episódio. Não sei se minha frágil mente aguenta.

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Bruno Freitas

Gosto de gibis ruins (dizem), me amarro em conteúdo nerd de todos os tipos e, aparentemente, estou aqui para falar de adaptações para a telona e telinha – salvo algumas boas exceções e vontades minhas de devaneios paralelos.