Velho Logan

Para aproveitar a estréia de Logan nos cinemas! Que tal conhecer a HQ que serviu de influência
Capa original de Velho Logan

E aí, beleza? Estamos de volta depois de um pequeno hiato, para aproveitar a estréia de Logan nos cinemas! Bóra falar da HQ que serviu de influência – e eu estou sendo bastante generoso quando digo “influência” – para a última incursão de Hugh Jackman na pele do carcaju nervoso que todos amamos. Bóra falar de Velho Logan!

E não dá pra falar dessa HQ sem antes falar de Mark Millar. Há quem o ame. Há quem o odeie. Há até quem ame odiá-lo. Qualquer que seja a opção onde você se encaixe, é inegável que o seu estilo de escrita, por mais controverso que seja, representou um avanço na forma em que muito heróis eram vistos até o início dos anos 2000. Capitão América e Homem-de-Ferro, por exemplo, só são o que são hoje nos quadrinhos por conta de sua interpretação em The Ultimates. Que aliás serviu de base pros heróis no MCU também. Enfim, a lista é longa.

E enquanto eu adoro algumas das coisas que o cara escreve (The Ultimates, Kick-Ass, Chosen, Civil War), eu tenho uma certa birra com o jeito que ele escreve todas as suas histórias. Às vezes fica a impressão de “chocar o público só por chocar”, sabe? E de tanto usar os mesmos elementos, isso acaba ficando meio vazio. Dá até pra montar uma cartelinha de bingo com qualquer roteiro do Millar: Tem vilão vencendo o herói? Tem suruba? Tem incesto? Tem estupro? Tem representação porca de personagem feminina? Tem “namorada na geladeira”? Tem ultra-violência? É Mark Millar. Maaaaaas por mais incrível que pareça, eu acabei gostando de Velho Logan, mesmo marcando a cartelinha toda!

Primeiro porque é uma história do Wolverine, então a violência por si só já se justifica (mesmo ele sendo um pacifista boa parte da mini). Segundo porque sendo um elseworld, caguei se não segue cronologia. Terceiro que mesmo sendo uma história sobre um futuro apocalíptico, ela tem uma vibe de faroeste que me agrada bastante. Adendo: não entendo como em toda história de distopia os caras tem que dividir território e todos os líderes/déspotas ficam tomando conta de um lugar todo cagado. Quem quer tomar conta dum lugar desses, sabe? Até mesmo o Doutor Destino que é um escroque mau-caráter de marca maior procura deixar a Latvéria o mais de boas possível (se bem que há controvérsias, mas vocês entenderam).

“Meu nome é Wolverine!”

Tudo começa o nosso velho Logan (hein, hein? 😉) voltando pro seu rancho e encontrando sua família. Eles estão com problemas porque não conseguiram dinheiro pra pagar o aluguel dos terrenos onde vivem e temem que o proprietário ache isso ruim. Quem você acha que é f*dão o bastante pra botar medo no Wolverine? Isso mesmo, o Hulk.

WHAT?! Como assim, Kadu? O Hulk não é um herói?

Então, rapidinho. No decorrer da mini ficamos sabendo que todos, absolutamente todos, os vilões se reuniram num ataque mortal aos heróis da Marvel. Todo mundo morreu. Assim, morreu gente a rodo! No fim, o vilão que encabeçava isso tudo, o Caveira Vermelha, dividiu os EUA entre os outros cabeças: Doutor Destino, Magneto e Abominável. Cinquenta anos se passaram desde essa batalha e alguns desses status quo foram mudados. Um deles foi o Hulk tomando a Califórnia, que era o território do Abominável.

Voltando. A família Hulk ameaça Logan, exigindo o dobro do aluguel até o mês seguinte. Os caras são um bando de caipiras incestuosos, já que tudo começou com o Hulk pegando a própria prima à força pra reprodução porque só “ela aguentava o tranco” (*ding-ding-ding*, marcando três pontos na cartela). Desesperado, Logan aceita a proposta de um Gavião Arqueiro cego pra transportar uma carga secreta através dos EUA. Ele promete um bom dinheiro e diz conseguem voltar dentro do prazo dado pelos Hulks. Daí por diante, é maneiro vê-los passeando de Aranhamóvel pelos pontos de desastre da Era Heróica. Há encontros com versões alternativas de outros heróis, tipo a filha do Gavião que também é neta do Homem-Aranha. Em meio a tudo, descobrimos que Logan abandonou a alcunha de Wolverine e jurou nunca mais soltar suas garras. Porquê? “Eles me quebraram”, é só o que ele responde. 😱

Logan é um homem de poucas palavras…

Acontece que durante o mega ataque do mal, Mysterio, o antigo inimigo do Homem-aranha, faz com que Wolverine alucine que está sendo atacado por vilões de todos os lados. Na verdade, enquanto ele achava que estava fatiando só bandidos, eles estava mesmo era fatiando todos os X-men. T.O.D.O.S. Você pode até se perguntar “como assim? O Wolvie nunca cairia nessa ilusão, por causa do faro e tals”. E você estaria certo, meu querido. Só que ele comenta que havia algo de diferente na ilusão que Mysterio tinha feito com que eles parecessem, soassem e até cheirassem diferente. É aqui que a gente abre pra primeira parte da suspensão de descrença porque senão não tem história, mas ok. Wolverine tenta até se matar depois, colocando a cabeça nos trilhos do trem, mas nada. Então ele resolve viver uma vida simples e por 50 anos foi assim.

No fim, depois de algumas reviravoltas e um golpe de estado que acontece MEIO QUE SEM QUERER (achei ótimo isso), Logan volta pra casa com a grana só pra descobrir que a Família Hulk passou lá antes do tempo a mando do velho Banner. Ao chegar em casa e ver sua família morta, Logan… errr… Wolverine volta com tudo! Imagina Clint Eastwood invocado. Agora imagina o plot de John Wick. É isso. Wolvie cai na vingança simplesmente C.H.A.C.I.N.A.N.D.O. toda a Família Hulk. Primos. Primas. Irmãos. Avós. Enteados. Todo mundo. Até sobrar só o pai de todos. Bruce Banner.

É aí que abrimos pra segunda parte da suspensão de descrença. Porque por mais que o Wolverine tenha um esqueleto de adamantium, fica a impressão de que ele sai cortando todos os Hulks com muita facilidade. Há o argumento de que a força do Hulk tenha ficado meio diluída depois de tanta… err… reprodução cruzada. Mas ainda assim, mesmo sendo iradíssima, a maneira como ele derrota o Hulk no fim parece meio forçada.

De resto, se você não leu, mesmo com todos os spoilers queu dei aqui, ainda acho que vale a pena. E não, não precisa ler a minissérie antes de ir assistir Logan nos cinemas. Vai por mim, não tem nada a ver.


Pontos Fortes

  • A arte do Steve Mcniven. O cara manda benzaço com um estilo mais realista, bem detalhado. Faz as cenas hiper violentas ficarem mais bacanas.
  • Personagens Marcantes. O Velho Logan tem aquela tristeza e dureza dos caubóis de outrora, sabe? Tanto que a Marvel puxou o cara pro universo 616 depois das Novas Guerras Secretas (argh). A Mulher-aranha filha do Clint também teve um certo destaque na mini Aranhaverso, foi interessante. E o próprio Clint Barton, mesmo cego, sendo um badass no estilo Fúria Cega! Foi sensacional!

Pontos Fracos

  • É Millar, né? Quer dizer, é ponto forte E fraco ao mesmo tempo. Mas tudo depende do seu gosto, quem sou eu pra me meter nisso?
  • Foi só uma mini. É um universo interessante de se revisitar. Seria legal ler uma história sobre algum outro personagem sobrevivente deste universo.
Alguns dos originais de Steve McNiven para Velho Logan.
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Kadu Castro

Quadrinista. Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.