Vale a pena gastar seu tempo com Watch Dogs 2!

O segundo jogo da franquia hacker da Ubisoft é divertido e inteligente

Vocês devem estar se perguntando por que diabos eu estou falando de um jogo que saiu em novembro do ano passado, e eu já explico: porque acabei de finalizá-lo e é muito bom. A indústria de videogames se mantem pulsante muito por conta dos lançamentos mais recentes, mais do que qualquer outro segmento do entretenimento. A rapidez com que alguns heavy users da categoria terminam jogos, muitos deles com dezenas de horas de gameplay, faz os jogos que não são os do momento parecerem ‘velhos’, o que é uma pena. Eu, como não consigo nem quero jogar assim tão rápido, terminei Watch Dogs 2 na semana passada e não posso deixar de compartilhar com vocês minhas impressões.

Apostando em uma nova franquia, a Ubisoft lançou o primeiro Watch Dogs em 2014, no finalzinho da 7ª geração dos consoles. Tanto que o jogo ainda chegou a sair pra PS3/X360 e também para PS4/XONE, além da versão para PC. No mesmo formato de mundo aberto de Assassin’s Creed e Far Cry, sucessos consagrados da empresa, Watch Dogs propunha um contexto de futuro bem próximo, em que através de um celular o protagonista poderia hackear dispositivos diversos para cumprir seus objetivos (a tal da ‘internet das coisas’). Por falar em protagonista, ta aí um ponto crítico do primeiro jogo. Aiden Pierce, um personagem envolvido num drama com gangues que chega a atingir sua família, falha em estabelecer conexão emocional com o jogador. Enfim, o jogo foi bastante criticado pela imprensa especializada e os jogadores, o que botava uma baita interrogação na continuidade da franquia.

Pois a continuação virou o jogo, com o perdão do trocadilho. Mantendo o DNA hacker mas mudando cenário e contextos, Watch Dogs 2 é muito melhor, mais divertido e cheio de referências de cultura pop simplesmente deliciosas. O protagonista é Marcus Holloway, que é recrutado pelo grupo de hackers Dedsec para derrubar a gigante da tecnologia Blume. O grupo vem pesquisando o envolvimento da empresa em operações escusas das mais variadas envolvendo dados. Marcus fora vítima dos algoritmos de previsão de crime da empresa CTOs, outra grande da tecnologia, e no início da aventura infiltra-se na sede da empresa para apagar os dados incorretos e ficar livre das acusações infundadas.

Nesse segundo jogo da franquia, ambientado em São Francisco (o anterior foi em Chicago), a Ubisoft trocou o tom dramático de Aiden Pierce pela descontração da turma da Dedsec, e deu muito certo. Marcus, Josh, Horatio, Sitara e Wrench são divertidíssimos, e embora haja momentos de seriedade, na maior parte do tempo os papos entre eles são leves e ótimos de acompanhar. Imaginem que enquanto dirige a caminho de uma missão, Marcus discute ao telefone com Wrench sobre quem é melhor, o Predador ou Terminator. É cinemão dos anos 80 no melhor clima de mesa de bar!

O smartphone de Marcus, inclusive, é o hub de informações do jogador para realizar as missões e desenvolver os pontos de habilidade. Através de aplicativos você vai se organizando e decidindo a próxima tarefa a realizar. Com o app ‘Driver SF’, por exemplo, Marcus pode fazer serviços de motorista particular, ao estilo Uber, mas com passageiros bem fora do convencional e que podem pedir atividades e trajetos bem estranhos. Já com o ‘Songsneak’, inspirado no Shazam, basta apertar um botão ao passar próximo de um carro tocando determinada música e ela passa imediatamente para o seu media player. O ‘Scout X’ serve pra tirar fotos em pontos turísticos da cidade e ganhar mais seguidores para a Dedsec. Aliás, seguidores são o XP do jogo. Quanto mais seguidores conquistados, mais habilidades disponíveis para o protagonista. Hackear dispositivos, manuseio de armas e drones são alguns exemplos de habilidades sem as quais fica bem complicado evoluir no jogo, portanto invista nessas missões e atividades secundárias dos apps.

Nem só do tem descontraído, no entanto, vive a turma da Dedsec. Por trás das atividades da Blume há muita manipulação de dados, pessoas e dinheiro, e esse é um dos pontos altos do jogo: a abordagem de temas sérios e importantes como pedofilia, gentrificação e tráfico de pessoas, dentro de um videogame. É o tipo de coisa que infelizmente aqueles caras que eu citei lá no início do texto, que terminam o jogo rapidão, correm o risco de perder, o que é uma pena porque tem muita mensagem importante no decorrer da narrativa. Isso porque apesar de ter finalizado as missões principais ainda me faltam algumas secundárias pra concluir.

Em termos de jogabilidade, sobretudo nas missões principais o jogo oferece bastante diversidade, não só dos ambientes e desafios, mas nas maneiras de concluí-los. É importante mapear a região, observar rotas de fuga e quantos adversários estão no local, e pra isso tudo os drones, um aéreo e um terrestre, ajudam demais. Os puzzles pra hackear grandes estruturas da cidade também são bem divertidos, e o fato de alguns terem que ser resolvidos com limite de tempo dá um clima de tensão a algumas missões.

Enfim, vale gastar seu tempo com Watch Dogs 2. Esqueça os deslizes do jogo anterior da franquia e divirta-se. É fato que cada vez nosso tempo é mais curto pra tantos jogos, e só este ano já foram lançados mais uns 3 ou 4 que quero, mas tem muito jogo que não é tão recente e vale a nossa atenção. Watch Dogs 2 certamente é um deles.

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Igor Oliveira

Pai orgulhoso, nerd fervoroso, cosmopolita convicto. Com três anos de idade passava o dia trocando aquelas fantasias antigas de super-heróis. Hoje, aos 38, é pai do Pedro e namorado da Marina. Coordenou o projeto Geek.Etc.Br na Livraria Cultura e estreou como roteirista de quadrinhos no final de 2016, no projeto Pátria Armada - Visões de Guerra.
  • Joao Gabriel de Oliveira

    Legal o texto. Também sou desses jogadores que curtem apreciar melhor o jogo, sem pressa de terminar. Infelizmente não consegui jogar o primeiro, mas tenho um amigo que jogou (fez até vídeo análise no canal dele) e acha o jogo muito bom, apesar das baixas notas que levou da mídia.

    Eu sempre quis jogar, mas como já tem o 2, acho que vou pular logo pra esse. Parece conter tudo que o primeiro tinha de bom e fazer acréscimos interessantes. Mês que vem eu pego meu console e com certeza esse jogo estará entre os primeiros da minha lista.