The House of Small Cubes

Uma obra de arte imperdível escondida no Netflix

E cá estou eu de novo chafurdando os confins do mundo nerd. Desta vez o tesouro está na Netflix, e é uma animação japonesa curtinha de 12 minutos: The House of Small Cubes. O protagonista é um senhor que vive dentro de uma casinha minúscula, um cubículo com sinaliza o próprio título. De tempos em temos ele tem que construir um novo andar da casa, porque aquele em que vivia até então esta inundando por conta do aumento do nível da água. No universo mostrado no filme todo mundo vive ilhado nessas casinhas.

A vida do tal senhorzinho nos é apresentada justamente em um momento em que ele precisa construir um novo nível para sua casa. Ao terminar a construção, vai com um barquinho ao nível em que vivia anteriormente para recolher mobília e objetos, e ao fazer esforço para trazer para dentro do barco uma cômoda que estava boiando, deixa cair da boca o cachimbo que fumava. Logo percebemos que o hábito de fumar o cachimbo é importante, e o nosso protagonista acaba conseguindo uma roupa de mergulho pra ir atrás do objeto, e aí vem a beleza maior da história toda.

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Conforme vai descendo pelos níveis inferiores da casa, em cada andar o velhinho se depara com um objeto que recupera uma memória ali vivida, e cada flashback reconstrói o percurso da sua vida desde a infância e a adolescência, quando conheceu sua esposa. Não tem como não lembrar de Up – Altas Aventuras e do carismático Sr. Fredricksen, embora, justiça seja feita, a animação japonesa tenha sido lançada em 2008 e o filme da Pixar seja de 2009. De qualquer maneira, UP entra no tema da reconstrução da memória através das fotos nos porta-retratos, que recuperam os momentos vividos por Carl Fredricksen e sua esposa. The House of Small Cubes trata o tema através dessa jornada linda do seu protagonista nesse mergulho profundo em busca do cachimbo.

Em termos visuais, a animação é pura obra de arte. Toda em tons pastéis, ora numa paleta em tonalidades amareladas (dentro da casa) ou azuis (debaixo d’água), na maior parte das cenas só o personagem e objetos próximos são animados, sendo os cenários estáticos, compondo verdadeiras pinturas, em texturas que parecem desenhos a lápis de cor. O trabalho é da produtora Robot Communications sob a direção de Kunio Kato, que também assina o roteiro com Kenya Hirata. O filme ganhou o Oscar de melhor animação em 2009.

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Como se trata de um curta dá pra ver e rever muitas vezes tranquilamente, pra prestar atenção nos detalhes visuais e refletir sobre os temas. Não só a velhice e a reconstrução da memória são fundamentais no filme, mas também a própria questão da subida do nível do mar causada por mudanças climáticas. Tem ouro escondido na Netflix por trás dos seriados hypados e longa metragens do momento. Recomendo acompanhar sites ou apps que se atualizam com os conteúdos que entram e saem do serviço.

Pessoal, por hoje é isso. Assistam logo The House of Small Cubes e voltem aqui pra gente bater papo. Para quem estiver na CCXP, estarei lá no sábado, e precisamente as 16h participo de sessão de autógrafos da HQ Pátria Armada – Visões de Guerra, em que estreio como roteirista. Vai ser no stand do Instituto HQ. Nos vemos lá!

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Igor Oliveira

Pai orgulhoso, nerd fervoroso, cosmopolita convicto. Com três anos de idade passava o dia trocando aquelas fantasias antigas de super-heróis. Hoje, aos 38, é pai do Pedro e namorado da Marina. Coordenou o projeto Geek.Etc.Br na Livraria Cultura e estreou como roteirista de quadrinhos no final de 2016, no projeto Pátria Armada - Visões de Guerra.