Super-sósias

Filmes da Marvel são criticados por vilões pouco memoráveis que apresentam.

Então, pro meu primeiro post nesse maravilhoso e cheiroso sítio que é o Mundo Gonzo, demorei um tempo pra ver qual verborrágica história seria a minha estréia aqui. Então lá vai. Mas, antes, um contexto sobre quem sou.

Sou Bruno Freitas, amigo de curta longa data do Cassiano Pinheiro (o responsável por tudo isso aqui). Gosto de gibis ruins, me amarro em conteúdo nerd de todos os tipos e, aparentemente, estou aqui para falarmos de adaptações para a telona e telinha – salvo algumas boas exceções e vontades minhas de devaneios paralelos. Preparem-se.


VAMOS FALAR DELA

Hoje será um dia Marvel. Porque todo dia há de ser um dia mais Marvel que menos. Sim, acabo sendo um daqueles. E sim, desgosto de quase tudo do outro lado de lá. Menos com o que eles cospem em publicações e muito a ver com o que eles fazem com tevê e cinema. Mas isso fica pra outro dia.

Kevin Feige (Photo by Christopher Polk/Getty Images for Disney)
Kevin Feige

Em Kevin Feige confiamos. Ele é nosso pastor, e nada nos faltará – a não ser mais e mais conteúdo Marvel para nos deleitarmos na telinha ou telona, babando pelas adaptações, as criticando e sendo os chatos de galocha que geralmente somos… e por isso calhou ler em uma matéria no Screen Rant uma resposta do intrépido líder sobre uma das mais persistentes críticas negativas às suas películas.

Filmes da Marvel são criticados a torto e direito por vilões pouco memoráveis que apresentam.  Quem mais leigo lembra do nome dos vilões que quase sempre espelham as habilidades e especificidades dos nossos heróis? Vamos usar como base a primeira trilogia que iniciou o que hoje chama-se o Universo Cinematográfico Marvel.

AS REFERÊNCIAS

Se puxarmos a referência do Homem de Ferro, temos o Obadiah Stane (intelecto) no primeiro com sua eventual armadura gorda e escrota (habilidades).  Na seqüência, o repeteco de Justin Hammer (intelecto) e Ivan Vanko (habilidades). No terceiro, Maya Hansen e Aldrich Killian (intelecto) e o Extremis (habilidades)… pronto, entendemos as comparações, né? Só mais uma, já que não custa nada botar sal na ferida.  Quem lembra do Emil Blonsky? Hein? É o Abominável no horrendo ‘Incrível Hulk

Vamos continuar com as óbvias comparações do Bucky Barnes com o Capitão, do Loki com o Thor e do Jaqueta Amarela com o Homem Formiga? E vamos partir pra falar de Ra’s Al Ghul contra Bruce Wayne ou do Zod contra o Kal-El? Não? Certeza? Absoluta? Óquei, vocês venceram.

Por mais transparentes que eles sejam na forma como apresentam seus personagens na hora de adaptarem tudo à telona, realmente sobra BASTANTE espaço para ampliarem e desenvolverem melhor os contra-pontos dos nossos marotos heróis sem precisar O TEMPO TODO montar vilões que se assemelham em tudo aos protagonistas mas são a versão oposta dos mesmos. Ah, Lado Sombrio da Força, o que fizestes com a dinâmica de enredo e narrativa dos filmes de super-heróis, meldéls??

Mads Mikkelsen é Kaecilius, em Doutor Estranho
Mads Mikkelsen é Kaecilius, em Doutor Estranho

Chegou a vez do nosso Stephen Strange tomar as rédeas da situação cadê-o-vilão-idêntico-ao-herói-só-que-do-mal. No filme do Doutor Estranho que irá introduzir magia e feiticeiros, teremos o fantástico Sherlock Khan (múltiplas referências, meu povo!) enfrentando Kaecilius, um raparigo novo que aparece num gibi especial que serve de prelúdio pra história a ser contada em Novembro. Kevin Feige, finalmente aparecendo de novo nesse artigo que já tá gigante, explica a situação toda de mais uma vez termos uma versão dicotômica do protagonista para servir de vilão. A tradução é livre e minha.

“Claramente chegaremos a isso [encontros sem vilões sósias]… você quer ter personagens que habitem o mesmo mundo quando se introduz um mundo novo, uma nova mitologia por falta de termo melhor. Vale explorar isso o máximo que der. Kaecilius não conhece o Strange. Ele o precede. Mas quando se está ensinando a uma platéia coisas sobre feiticeiros e essa realidade e haverá a necessidade de se explicar o passado e entrar nas histórias pregressas de qualquer forma, melhor amarrar seu vilão nisso ao invés de apresentar toda a fundação de dimensões paralelas e feitiçaria e dizer, veja bem, tem um meteoro que caiu do outro lado do mundo, dentro d’água, e esse mal se desenvolveu. O que isso tem a ver com magia?  Nada… não é assim que temos desenvolvido eles até esse ponto.”

Bem, fica bem claro e óbvio enxergar a maneira com que a Marvel vem buscando apresentar seus personagens, mundos e especificidades. A vontade de deixar tudo mais palatável e compreensível pra grande massa que, diferente de quem lê artigos como esse, só quer ver um filme bacana. E o quão fantástico é ver o Kevin claramente chegando pra dar AQUELA sacaneada no Super-Homem pra no último minuto botar o meteoro n’água e se safar de um ato falho absolutamente sensacional?

Doutor Estranho chega aos cinemas no começo de Novembro. Vumbora ficar animadinho pra ver o que deve ser mais um ESTRONDOSO sucesso dessa intrépida trupe de pessoas incríveis, apesar da notícia marota de que o Benedict Cumberbatch, confessou nunca ter lido gibis fora Tintin e Asterix & Obelix. Maldito.

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Bruno Freitas

Gosto de gibis ruins (dizem), me amarro em conteúdo nerd de todos os tipos e, aparentemente, estou aqui para falar de adaptações para a telona e telinha – salvo algumas boas exceções e vontades minhas de devaneios paralelos.