Séries de TV: Espionagem e Tensão Política

Séries apostam em elemento viciante.

INT. / NOITE – ESCRITÓRIO

Um ambiente em penumbra, iluminado apenas por um fraco ABAJUR. Ao fundo, uma CHUVA FORTE castiga as vidraças da janela, com eventuais TROVÕES trazendo mais luz ao ambiente. Sentado à mesa está LUIZ FERNANDO, um nerd de trinta e poucos anos. Ele pensa minuciosamente sobre o que vai escrever em seu Google Docs…

…não, peraí, corta. Vamos começar de novo.


E… Ação!

Fala, meu povo! Eu me chamo Luiz Fernando e vou aparecer de vez em quando aqui no Mundo Gonzo. Vou escrever sobre um bocado de coisas, então é melhor começar logo.

Hoje o papo é sobre séries de TV. Mais especificamente, um gênero que tem aparecido bastante nas paradas de sucesso aqui em casa. Bem, não é exatamente um gênero, veja você, mas sim um sub-gênero: séries de Espionagem e Tensão Política.

“Como assim, tio Luiz?”

Pois então, um fator que essas séries têm em comum é que suas narrativas se baseiam em espiões/agentes secretos/terroristas e em algum perigo político/físico/bélico eminente. E, é claro, personagens com segredos. MUITOS segredos.

Aliás, o elemento viciante dessas séries é justamente este: tentar descobrir os segredos, ir desvendando a história e se surpreender a cada episódio. Quer conhecer três exemplos que eu assisto? Vamos lá:


HOMELAND (2011)

Essa aqui é a carro-chefe do “gênero” atualmente na televisão americana, vencedora do Emmy de melhor série de Drama em 2012 e com prêmios de melhor atriz e ator para Claire Danes (Minha Vida de Cão, Romeu & Julieta) e Damian Lewis (Band of Brothers).

A série conta a história de Carrie Matheson (Danes), uma agente da CIA que recebe a seguinte informação de um contato no oriente médio: “um americano prisioneiro de guerra foi convertido e agora trabalha para a Al-Qaeda“. Pouco tempo depois, o sargento Nick Brody (Lewis) é resgatado no Iraque após oito anos em cativeiro, o que imediatamente deixa Carrie paranóica. Percebendo que seria impossível colocar Brody sob vigilância, já que ele é tratado como um “herói americano” pela opinião pública, Carrie resolve investigá-lo por conta própria sem o conhecimento da CIA, na esperança de impedir um potencial ataque terrorista em solo americano.

Carrie boladona e Brody (será que ele é? Terrorista, quero dizer…)

A história é tensa pra caramba e os atores principais arrebentam em suas atuações. Atualmente possui cinco temporadas de 12 episódios cada, com a sexta estreando em Janeiro do ano que vem. A previsão de término é na oitava temporada. Vale cada minuto de unhas roídas em frente à TV!


THE AMERICANS (2013)

Essa já é um pouco mais desconhecida, embora tenha sido indicada ao Emmy de melhor série de Drama esse ano. Aqui, a história é ambientada nos anos 80 e gira em torno de um típico casal americano: Elizabeth e Philip Jennings, vividos por Keri Russell (Felicity) e Matthew Rhys (Brothers & Sisters). Eu sei, pelas séries anteriores do casal principal você não daria nada por essa história, né? Mas peraí.

O grande lance é que esse “típico casal americano” é, na verdade, uma dupla de agentes da KGB infiltrados pela União Soviética nos Estados Unidos há dezesseis anos para espionar o governo americano em plena Guerra Fria. Por se tratar de uma série de época, a narrativa incorpora acontecimentos reais, dando ao clima de tensão uma camada histórica muito legal. Além disso, acompanhamos o relacionamento deste “casal” que, além de ter em suas mãos uma missão vital e tão longa, ainda precisa lidar com sua falsa vida conjugal e com seus dois filhos – estes sim muito reais-, concebidos para dar veracidade à missão.

Não é que a Felicity e o Kevin podem ser ameaçadores mesmo?

Uma curiosidade sobre a série: o seu criador, Joe Weisberg, foi um agente da CIA. Suas experiências de trabalho em casos reais de Sleeper Agents, como são chamados os espiões infiltrados, foram essenciais para trazer veracidade à história.


THE MAN IN THE HIGH CASTLE (2015)

Sieg Heil?
Sieg Heil?

O que aconteceria se o Eixo ganhasse a Segunda Guerra Mundial? Esse exercício de realidade alternativa é o cenário para a série inspirada no livro de Philip K. Dick, que foi traduzido no Brasil como O Homem do Castelo Alto. Neste mundo, os Estados Unidos pós-guerra foram despedaçados em três territórios: os Estados Pacíficos do Japão, uma nação pertencente ao Império Japonês; o Grande Reich Nazista, parte de uma Alemanha na qual Hitler ainda é o Führer; e a Zona Neutra, área central gigantesca que divide as outras duas e não pertence à ninguém, sendo uma espécie de território livre.

 

Os Estados Desunidos da América
Os Estados Desunidos da América (clique para aumentar).

Começamos no ano de 1962. A história gira em torno de dois personagens: Joe Blake,  jovem que cresceu em uma Nova York nazista e procura juntar-se à Resistência anti-Eixo; e Juliana Crain, mulher que mora na São Francisco japonesa. Juliana acidentalmente se envolve com a Resistência quando se depara com um rolo de filme contendo imagens impossíveis: a vitória dos Aliados na Guerra, com Estados Unidos e Grã-Bretanha derrotando Japão, Alemanha e os outros membros do Eixo. Joe, por sua vez, aceita como sua primeira missão na Resistência entregar uma carga em um local distante. Os caminhos de Joe e Juliana se cruzam quando ambos vão para a Zona Neutra, em busca das seguintes respostas: o que este filme significa e quem é o Homem do Castelo Alto?

 

Eu ainda estou no terceiro episódio dessa série, mas já estou me divertindo pra caramba. Ela tem a mesma atmosfera de paranóia e mistério das outras duas e, ainda por cima, tem o elemento de história alternativa que eu adoro. Vale muito à pena catar pra conferir.


Bom, por hoje é só! Falei pra caramba de alguma séries que estão na minha TV atualmente, mas agora chegou a sua vez de responder nos comentários. Vale tudo: falar o que achou do post, dar sugestões de outras séries que não entraram aqui, trocar receita de estrogonofe (eu faço o meu com um pouco de mostarda escura)… Enfim, escreve aí!

Até a próxima!

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Luiz Fernando Reis

Carioca, 32 anos, Nerd, Diretor e Editor de Vídeo, ser humano em geral. Precisando de qualquer coisa estamos às ordens!
  • Já tinha ouvido falar bem dessa The Americans, mas nunca cheguei a ver. Descobri uma essa semana com o eterno Jack Bauer, chamada Designated Survivor, tô achando bem bacana até agora… só tem dois episódios, hehe.

    • Tou gostando muito de The Americans, voltei a assistir quando soube que eles tinham sido indicados ao Emmy! Fiquei curioso em ver essa nova do Jack Bauer tb, heheh…

  • Igor Oliveira

    Cara, eu sou um fiasco pra acompanhas Séries de TV, mas tenho vontade de assitir The Americans, acho que muito pelo lance de época.
    Minha namorada devorou Homeland, e do Homem do Castelo Alto acabei de ler o livro, que eu nunca tinha lido, e é um dos melhores que li em tempos, e certamente o melhor que li este ano. Tava curioso pra saber alguma coisa diferente da adaptação, e pela sua descrição já vi alguns aspectos. Muito bom o tema do post. Vida longa pra nóis no Mundo Gonzo!