Rogue One

Como rever a saga depois disso tudo?

Rogue One: Uma História de Star Wars está nos cinemas e MA. LU. CO. que filme foi esse? Todos os amigos com quem conversei nesse curto espaço de tempo entre a estréia e eu escrevendo isso aqui, foram unânimes que o mais novo filme da franquia é um dos melhores já lançados! (Também pudera, não é mais o Tio George que tá no comando agora #veneno). Incrível que uma história que todo mundo sabia como ia terminar, com a Aliança Rebelde conseguindo os planos da Estrela da Morte, pudesse ser tão envolvente e, arrisco dizer, surpreendente.

Mas “surpresas”, Kadu? Em um prequel, com o final já estabelecido?

Sim. Surpresas! E uma conexão com o primeiro filme da trilogia original que nem a trilogia dos prequels conseguiu amarrar tão bem. Porque convenhamos, boa parte da graça em se ver um filme de Star Wars hoje em dia é poder notar todas as cata-piolhices e easter eggs de tudo que foi lançado. E é com este objetivo que venho aqui traçar um comparativo com a “continuação” de Rogue One. Vamos dar uma olhada de novo em Episódio IV – Uma Nova Esperança!

A partir daqui, padawan, só tem spoiler! Com cuidado prossiga. Hmmm.


A Estrela da Morte.

Comecemos com a principal ligação com o filme original. Logo de cara no chamado opening crawl do filme de 77, ficamos sabendo que os Rebeldes haviam conseguido os planos da principal arma do Império em uma grande batalha. Rogue One gira em torno dessa conquista, enquanto Uma Nova Esperança é sobre a destruição da estação. E esse foi um ponto de bastante controvérsia durante muitos anos.

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Quem foi o engenheiro de m#%$@& que projetou uma estação de batalha com um ponto fraco tão óbvio?

Muitos fãs tentaram explicar dizendo que “o tiro do Luke era um em um milhão”. Ou que a “Estrela da Morte tinha confiança em suas defesas”, etc. Se não me engano, em algum forum, ou em algum filme do Kevin Smith, essa teoria de “o engenheiro era contra o Império e a falha foi inserida de propósito” já havia sido levantada. Quer dizer, a estação espacial é destruída com UM tiro em um lugar específico causando uma reação em cadeia! Não tem como isso ser apenas uma falha de design providencial.

A introdução de Galen Erso e sua filha Jyn Erso trouxe profundidade a um dos mais discutidos “furos” de roteiro da história do cinema. Cabe chamar isso de furo, aliás? É complicado julgar filmes de décadas atrás pelos padrões de hoje em dia, então acho que não. Mas taí, foi uma adição bacana ao lore da saga, ainda mais se considerarmos suas origens como teoria de fã.

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Jedha.

O planeta e a cidade são mencionados como uma Mecca para os peregrinos e pessoas que ainda acreditam na Força apesar de… ahem… “não existirem mais Jedis”. É o ponto de onde Jyn e Cassian Andor partem em busca de Galen Erso e a tal mensagem codificada. Além da similaridade entre o nome da cidade e a ordem dos Jedi, talvez não por acaso exista uma outra cidade com um nome de Jeddha (mas com dois Ds) aqui na Terra mesmo. Essa cidade é conhecida como a porta de entrada para a Mecca real, do Islamismo.

Continuando. Graças aos dois dos personagens mais irados desse filme, Chirrut Imwe e Baze Malbus, ficamos sabendo que Jedha é o local onde surgiu uma das primeiras civilizações a utilizar a Força. Ou a… hehe… “mexer com Força”. Hehe. Lá existe um dos templos mais antigos dedicados à Ordem dos Jedi. E também é de onde consegue-se minerar os famosos cristais Kyber, a força principal dos sabres de luz. Foi bacana descobrir que os cristais são de fato o combustível necessário para os disparos da Estrela da Morte! Ela é basicamente O MAIOR LIGHTSABER CONSTRUÍDO NO UNIVERSO.

Mas há boatos! Dizem que Jedha seria também o planeta utilizado pela Primeira Ordem para a construção da Base Starkiller, em Episódio VII. Mas quem acompanhou Clone Wars, tem certeza de que é o planeta Ilum, onde os padawans vão para completar seu rito de passagem na ordem. De qualquer maneira, ninguém confirmou nada ainda. São só boatos mesmo. Eu aumento, mas não invento!

Além disso tudo, é em Jedha que encontramos outra ligação com Uma Nova Esperança

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Dr. Cornelius Evazan e Ponda Baba.

Se você lembra bem do Episódio IV, sabe que é na famosa cantina de Mos Eisley que Luke e Obi Wan esbarram nessas duas figuras! Os dois querem arrumar encrenca e Obi Wan, pra não chamar atenção, saca seu sabre de luz e decepa o braço de Ponda Baba. Belo trabalho, Ben! Inclusive, essa é a única cena de decepamento por um sabre de luz com sangue espalhado por todo lugar. Enfim, agora sabemos que Evazan e Ponda Baba estão tendo meio que um dia de m#$%&@, né? Primeiro eles saem de Jedha a poucas horas de sua total aniquilação. Aliviados, vão encher a cara em Tatooine e acabam arranjando briga com um dos únicos Jedis na ativa. Como dizia minha avó “se ficasse em casa, não acontecia isso”.

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O Castelo de Vader.

Se você é fãzaço mesmo, daqueles que leu o Universo Expandido e tals, teve surtos de alegria ao ver a moradia do Sith mais badass da história. Reza a lenda que George Lucas queria colocar o castelo em Império Contra-ataca. Como não foi possível, acabou deixando-o para ser aproveitado nos livros, mesmo. Acabou que o castelo apareceu no único planeta que não recebe uma legenda no filme, mas fica óbvio pra qualquer um que é o mesmo planeta onde Anakin Skywalker “morre”. Mustafar. Não tem como se enganar com aquela cachoeirinha de lava. Isso foi confirmado depois pela produção do filme, não é invenção minha, juro!

Abro aqui um adendo. Só pra mostrar o lado de pai de Darth Vader, que faz uma bela “piada de paizão”, ao dar uma lição no Comandante Krennick. Cuidado, Vader. Daqui a pouco você tá perguntando se “é pra ver ou pra comer”.

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Yavin IV.

Em Episódio IV ficamos conhecendo a base secreta da Aliança Rebelde na lua de Yavin IV. Com Rogue One acontecendo meros dias antes do filme original, nada mais justo revisitarmos o lugar. E nele tem uma chuva de easter eggs. Tanto pros fãs do filme, quanto pros fãs das séries animadas. Primeiro, o rapazote com o “medidor de velocidade” que aparece a cada nave que pousa. Depois C3PO e R2D2 em uma rápida aparição reclamando da vida, como sempre. E pros fãs de Star Wars Rebels há uma referência à General Syndulla, sendo chamada no P.A. da base. Sua nave Ghost, pode ser vista também durante a batalha final em Scarif.

E por falar em Scarif

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A Batalha de Scarif.

Ah, o ponto alto do filme! Aquela que foi mencionada 39 anos atrás no primeiríssimo opening crawl…! Nela encontramos talvez o maior número de easter eggs do filme, além de uma ligação direta com Uma Nova Esperança. Pra quem é especializado em cata-piolhice (eu tive que catar isso na internet), ficamos sabendo porque Luke Skywalker ficou com o codinome Red Five. O piloto morre enquanto tentava destruir o escudo de força que envolvia o planeta. Além disso, outras duas “ressurreições” foram efetuadas durante a batalha, graças ao poder das cenas excluídas. Acontece que em 77, George Lucas filmou várias cenas de pilotos dos X-wings que atacam a Estrela da Morte. Boa parte dessas cenas acabaram não sendo usadas, inclusive dos líderes dos esquadrões Vermelho e Dourado, que acabaram sendo usadas em Rogue One.

Além disso, também ficamos sabendo por que razão não vemos Stormtroopers mais, digamos assim, “hábeis” em Uma Nova Esperança. Boa parte dos Death Troopers, os troopers fodões de elite foram dizimados depois que Grand Moff Tarkin atirou com a Estrela da Morte em Scarif. Daí que só sobraram os zarolhos que não acertam UM tiro e que batem com a cabeça nas portas das naves. ¯\_(ツ)_/¯

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Ok, não foi por isso. Mas teve um momento interessante pra mim no filme, que meio que justifica os Stormtroopers errarem tanto seus tiros. Ainda mais que o Obi Wan diz que eles são “bastante precisos” na hora de atirar e vemos os resultados de suas ações em Tatooine! Esse momento em Rogue One se dá quando Chirrut Imwe, o monge cego, vai acionar a alavanca. Repetindo pra si o mantra “Eu estou com a Força e a Força está comigo” o cara passa incólume por uma saraivada de tiros de blaster! Infelizmente, como nada é dito explicitamente, a gente fica só com a impressão de que a Força realmente o protegeu. Mesmo ele não sendo exatamente um Jedi. Isso explicaria por que Luke, Han, Chewie e Leia saem sem nenhum arranhão da Estrela da Morte.

Mas se você quiser achar que é só porque os Troopers são zarolhos mesmo, e isso foi uma piada, beleza. Eu não ligo porque eu estou com a Força e a Força está comigo. 😉

Terminando a Batalha de Scarif, temos A CENA. O momento em que todos se seguraram na cadeira e provavelmente choraram de emoção. Darth Vader chegando e se preparando para invadir Tantive IV, a nave onde está a Princesa LeiaVemos o desespero dos soldados da Aliança tentando defender o disco com os planos da Estrela da Morte e sendo sumariamente massacrados por Vader.

Vovó viu o Vader invadir a Tantive IV
Vovó viu o Vader invadir a Tantive IV

E, ok, enquanto já dava pra ter uma ideia do porquê dele já chegar logo no início do filme p#@% da vida, agora temos um pouquinho mais de informação sobre a motivação dele entrar quebrando tudo e force-choking a galera a torto e a direito. Na cena final-final, Vader quase entra a bordo da Tantive IV, enquanto vemos um manequim digital da Princesa Leia receber os planos como, ahem, uma nova esperança de derrotar o Império. E já que estamos aqui, foi muito bacana ver a princesa de novo, mas ainda bem que foi rápido, por que eu não tenho certeza que o efeito digital se sustentaria por mais tempo. A ressurreição de Grand Moff Tarkin também foi maneira, mas cada vez que ele aparecia eu achava que tinha alguma coisa de errado… mas ei! Era necessário e foi muito, muito foda ver esses personagens de novo!


Algum outro detalhe que você percebeu? Algum outro easter egg do universo expandido, ou das séries animadas? Comenta aí, compartilha com o Mundo Gonzo!

venho aqui traçar um comparativo com a “continuação” de Rogue One. Vamos dar uma olhada de novo em Episódio IV - Uma Nova Esperança!
Minha nossa, K2! Tem ainda muito mais easter eggs escondidos nesse filme…!
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Kadu Castro

Quadrinista. Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.