Onde sonhos se realizam, se você não for original.

2016 foi um ano recorde para a Disney e o mercado cinematográfico, mas preocupante para histórias originais.

Enquanto a vasta maioria de nós, meros mortais, contávamos os segundos para o fim desse tenebroso ano de dois mil e dezesseis, uma galerinha de um certo Reino Mágico não teve do que reclamar.

Esse ratinho e sua fortuna…

Disney e suas múltiplas encarnações (Pixar, Marvel Studios e Lucasfilm… três vivas pro oligopólio hollywoodiano) lideraram um mercado estadunidense de singelos US$11.4bi. Sim, vocês leram certo: onze bilhões e quatrocentos milhões de dólares e quase trezentos milhões a mais que 2015. E o Titio Walt arrasou.

Com mais de US$2.6bi só nos States e inacreditáveis US$7bi mundiais, essa galera de Burbank conseguiu quatro dos cinco maiores sucessos do ano. Na intrépida trupe de sucessos absurdos dos súditos do Mickey Mouse, tivemos ‘Capitão América: Guerra Civil’, ‘Procurando Dory’, ‘Zootopia’, ‘Mogli: O Menino Lobo’, ‘Doutor Estranho’, ‘Moana’ e nosso queridíssimo ‘Rogue One: Uma História Star Wars’.

Não satisfeitos em chegar, ainda em Maio, ao bilhão mais rápido da história do cinema americano, continuaram sua dominância no mercado – no final, ficaram também mais de um bilhão à frente da Warner, segunda colocada. Mas apesar de impressionante no papel, esse resultado financeiro recorde infelizmente deu-se com uma distância cada vez maior entre as sequências e franquias comparadas a filmes originais e os de menor orçamento que, em tempos idos, representavam a maior fatia do mercado.

Crédito: lista do fenomenal Box Office Mojo.

Olhem só. Pra se ter uma ideia, dos filmes de maior resultado esse ano no mundo, impressionantes TRÊS DOS MAIORES VINTE são filmes live-action (que não são animação) de material original, sem estar atrelado a qualquer universo cinematográfico já estabelecido. ‘A Sereia (Měi rén yú)’, ‘Warcraft’, ‘Monster Hunt (Zhuō Yāo Jì)‘. Pronto. E aqui estamos falando de um filme do universo do maior jogo online de todos os tempos, World of Warcraft, e nem tenho base pra saber se ‘A Sereia’ e ‘Monster Hunt’ são referentes à algum livro, série ou conteúdo local já estabelecido.

O que isso prova é que, para praticamente a totalidade dos filmes de maior sucesso no mundo, a não ser que você seja um desenho, ser original não é o caminho. Cliquem no link acima, por favor, e reparem em algo curioso… todos os três filmes de conteúdo original, não obstante o fato de serem os três ENTUPIDOS de computação gráfica, tiveram seus resultados graças à nação dos soldados de terracota e macarrão instantâneo. Globalmente, só spin-offs, sequências ou animações (originais e não, vai) tiveram espaço no topo.

Pra começarmos a enxergar roteiros e filmes de fato originais, só nos 50 maiores. E olhe lá. Estarrecedor, isso.

Aaah… olha o Mini Groot! Quem se importa com originalidade??

E reparem nessa ótima lista de 58 filmes potenciais filmes de grande sucesso de 2017. Olhem com calma. Tem muita coisa insanamente boa surgindo por aí. Mas quem garante o que será, de fato, um grande sucesso? Pelo visto, é só procurar um numeral ao lado do título que tá garantida a bilheteria. Material original virou exceção, quando deveria ser a norma.

E o que acontece quando Hollywood esgotar conteúdos reciclados? Será que chegaremos a esse dia, ou viveremos a partir de agora num eterno loop de sequências, spin-offs, revivais de tudo aquilo que já vimos, consumimos e, bisonhamente, estamos sedentos por voltar a consumir?

Dunkirk… ou quando ainda sobra espaço pra épicos originais em Hollywood.

O mundo cinematográfico, aparentemente, nos reserva zilhões de produções caríssimas de material já conhecido e algumas tentativas, tímidas e em menor número, de coisas novas, originais e criativas. Torço para que o volume de dinheiro gerado por filmes (vejam só) alternativos e originais ainda permita com que maravilhas como ‘Voando Alto’, ‘Os Caras Legais’, ‘A Chegada’, ‘O Lagosta’, ‘O Contador’, ‘Cantando Estações’ e tantos outros ainda tenham seu espaço em nossas salas, mentes e corações.

Um brinde para um 2017 de muito entretenimento e emoção para todos nós.

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Bruno Freitas

Gosto de gibis ruins (dizem), me amarro em conteúdo nerd de todos os tipos e, aparentemente, estou aqui para falar de adaptações para a telona e telinha – salvo algumas boas exceções e vontades minhas de devaneios paralelos.