O Novo Quarteto Fantástico

O Novo-Velho Quarteto, né? De 1994!

E aí galera, beleza?

Quarteto Espantado!
Quarteto Espantado!

Se você chegou até aqui no Mundo Gonzo, grandes chances de você curtir quadrinhos. Se você curte quadrinhos grandes chances (grandessíssimas, eu diria) de você ter um baú de quadrinhos cheio até a boca. Ou até mesmo um armário. Ou um quarto inteiro só pra isso. Enfim, pra resumir, é bem provável que você tenha uma tonelada de gibis velhos guardados em algum lugar que você coleciona desde a mais tenra infância.

Eu tô aqui pra desencavar essas pérolas e trazer um pouquinho de nostalgia pra você. Direto de uma época onde os quadrinhos eram mais simples, mais coloridos, menos confusos e quando os X-men eram no máximo três equipes com meia dúzia de mutantes cada. Prazer, eu sou o Kadu.

Hoje mais especificamente, vim aqui falar do Quarteto Fantástico. Atualmente, a Primeira Família da Marvel anda sumida por diversos motivos (DAMN, YOU FOX), mas nos idos dos anos 90 ela seguia firme e forte. Tanto que durante as muitas idas e vindas de seus membros, num determinado momento em 1990, Walter Simonson e Arthur Adams resolveram “matar” (ênfase nas aspas, “por favor”) todos eles e substituí-los por um novíssimo Quarteto Fantástico.

Sim.

É exatamente deles que eu estou falando. Do Quarteto mais anos 90 que os anos 90 poderiam produzir! O NOVO QUARTETO FANTÁSTICO!

São muitos cabeças-quente prum Aranha só cuidar.
São muitos cabeças-quente prum Aranha só cuidar

Lançada aqui em Grandes Heróis Marvel #45 em 1994, a história saiu entre Dezembro e Fevereiro de 1990-1991 nos EUA, nas edições #347, #348 e #349 de Fantastic Four. Foi um arco fechado, provavelmente pra encher um pouco de linguiça até a edição #350, que trazia o retorno de Ben Grimm como o Coisa. Nessa época, o grupo era um quarteto de cinco pessoas: Reed, Sue, Johnny, Ben e Sharon Ventura. Johnny estava casado com Alícia Masters, mas andava balançado pela Nebula (essa mesma, a filha de Thanos). Ben e Sharon estavam namorando, mas ela estava como Coisa enquanto Ben tinha revertido à forma humana. Vamos à história.

Como de praxe, começamos com uma alienígena em fuga caindo na Terra, percebemos que ela pertence à raça Skrull, mas não mais do que isso. Nisso, no QG do Quarteto, vemos todos concentrados em atividades bucólicas como exercícios e brincadeiras, quando uma estranha invade o edifício. Aos poucos vemos cada membro do Quarteto ser eliminado por pessoas nas quais eles confiam. Tipo, Namor apaga Susan Richards. Johnny é derrotado por Nebula. Ben por Alícia e assim vai. Até mesmo Reed se distrai e é derrubado após uma certa luta. Com o Quarteto Fantástico completamente derrotado em segundos, a tal alienígena se revela como De’Lila, uma fugitiva do Império Skrull que está atrás de algo muito importante na Terra. Logo em seguida, vemos que o próprio Império mandou um grupo de resgate Skrull atrás da tal coisa, localizada, claro, no mais inóspito dos lugares. A Ilha Monstro, lar do Toupeira.

E é nessa que temos a formação do Novo Quarteto Fantástico. Geralmente esses grupos substitutos se formam ao acaso, para combater algo que apenas um não possa dar conta sozinho. Não neste caso. A equipe é acionada pela própria De’Lila com base numa pesquisa de poderes. SPOILER! Mais à frente, saberemos que cada um dos poderes dos novos membros é necessário para a ativação da arma suprema que ela está procurando. Assim sendo, o Homem-aranha, Wolverine, Hulk Cinza e Motoqueiro Fantasma se encontram no Four Freedoms Plaza e são hipnotizados pela Skrull disfarçada de Susan Richards. Ela os manda em direção à Ilha Monstro esperando que tragam de volta a arma e, se possível, que se encarreguem dos Skrulls que estão por lá.

O resto das edições é um festival de ação e piadas que brincam muito com o novo status de personagens que, até a época, não foram feitos para agir em grupo, agindo em grupo. E sério, isso é muito divertido de se ver. Wolverine e Hulk Cinza trocando frapas. O Motoqueiro se achando acima de todos e meio que cagando pra tudo. E no fim o Aranha tentando liderar aquela galera de alguma forma. Os clichês do gênero também se mantém, porque não há razão para que a tal De’Lila simplesmente não mate o Quarteto de fato. Ao invés disso ela os amarra (??) com um sistema de nós (??) que, se puxados do jeito errado enforcam todos os outros (???).

P#@, De’Lila? Já ouviu falar de tiro na cabeça?

A conclusão na Ilha Monstro também não é menos hilária, quando todo mundo se encontra. Todos em busca da mesma arma, que na verdade é tipo um “ovo” do qual sai um robô-guardião semi-indestrutível. No fim, o tal ovo choca e o robô dá um imprint com um dos monstros do Toupeira. E aí, bye-bye. Ninguém fica com o bicho no final. Os Skrulls vão embora, levando a prisioneira que ficou catatônica por causa do Olhar da Penitência do Motoqueiro Fantasma.

Tudo se encerra com a melhor piada. O Toupeira tenta colocar banca dizendo que vai aproveitar a chance de exterminar todo mundo, ao que o Aranha diz: “Amigo, olha só. Aqui a gente tem gente do calibre do Hulk, Wolverine e Motoqueiro Fantasma, mais o Quarteto Fantástico, mais eu. Assim, acho que não ia dar muito certo pra você não”. O Toupeira reflete e diz que vai levar todos eles à superfície em segurança.


PONTOS FORTES

  • Arthur Adams, né? O cara é um baita desenhista e não tem uma página que não seja incrivelmente detalhada no traço desse cara. A história seria uma beleza nem que fosse só pelo desenho.
  • Walter Simonson. Mas não é só o desenho também. No fim a história não dá em nada? Ok. Mas, fala sério, ele é divertida pra caramba! É o tipo de história que você nem precisa conhecer a fundo cada um dos personagens pra se divertir vale bem a pena.

PONTOS FRACOS

  • De’Lila. Acho engraçado essa coisa de nome de ET onde basta você pegar um nome super normal (Delilah, ou Dalila em português) e meter uma aspa no meio. Pode reparar que quase todo nome de ET em gibi segue esse padrão. Além disso, ela obviamente foi uma vilã feita só pra essa história, já que nunca apareceu de novo em qualquer outro gibi da Marvel. Honestamente? É uma vilã meio bunda, mas serve.
Capa da edição brasileira e coleção de capas das edições americanas de Fantastic Four #347, #348 e #349
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Kadu Castro

Quadrinista. Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.