O “Homem do Ano” é Deadpool.

Ryan Reynolds é eleito o 'Homem do Ano' pela revista americana GQ.

Chega o final do ano e os famosos prêmios “melhores do ano” começam a pipocar, seja na TV ou revistas. É o caso da revista americana GQ, uma publicação mensal sobre moda, estilo e cultura para os homens. A revista americana anunciou suas escolhas do ano para o 21º prêmio “Men of the Year”. Um dos eleitos como “Homem do Ano” foi o Deadpool, quer dizer, Ryan Reynolds.

Ele dividiu o prêmio com Usain Bolt e Warren Beatty. É claro que um dos motivos desse sucesso todo do ator é o filme Deadpool, você duvida disso?

Homem do ano
Homem do ano

Reynolds aproveitou para falar um pouco sobre o filme.

Por que Deadpool demorou tanto para acontecer?

Eu fiquei 11 anos tentando fazer este filme. Fizemos todas as versões possíveis do roteiro para permitir ao estúdio fazer um filme que parecesse vagamente com o filme que nós queríamos fazer.

Você conseguiu “forçar” o seu Deapool em um roteiro padrão de super-herói.

Nós pensamos “OK, se eles nos permitiram fazer isso (a gravação teste vazada na San Diego Comic Con de 2014), nós vamos de fato filmar isso e torcer pra que o estúdio não perceba.” Depois que a gravação teste vazou, criou-se um movimento de apoio ao filme. E o estúdio respondeu a esse apoio dizendo “OK, aqui está a quantidade ridiculamente pequena de dinheiro que nós vamos dar pra esse personagem. Nos avisem quando o filme estiver pronto.”

Ouvi dizer que você pagou 20 mil dólares do seu bolso para usar uma foto da Bea Arthur no filme.

Foi mais uma questão de conversar com os advogados do patrimônio e com a família dela, ser honesto e dizer: “Nós vamos fazer bom uso disso.” E rolou uma pequena doação para um fundo de caridade que ela apoiava quando era viva.

Qual foi a caridade?

Esqueci. Se bobear eu doei um monte de grana para caçadores de animais exóticos em extinção.

Você fez o Deadpool em X-Men Origens: Wolverine, mas parece que ninguém ficou feliz com o resultado.

O filme aconteceu durante uma greve de roteiristas, então eu escrevi as minhas próprias falas. Assim, no roteiro só dizia “Deapool aparece, fala bem rápido e faz um monte de piadas.”

No início daquele filme, o personagem é até próximo do Wade Wilson que fizemos em Deapool – na medida do possível. Mas dali pra frente ele deixou todo o canon e o bom-senso de lado e acabou sendo uma abominação de Deadpool que parecia um “Barakapool”, com a boca costurada, aquelas lâminas esquisitas que saíam das mãos, as tatuagens estranhas e toda aquela bizarrice. Se você assistir o filme, eu faço apenas uma parte pequena. Um dublê fez o trabalho pesado. A conversa do estúdio na época foi: “Se você quer fazer o Deadpool, essa é a sua chance de apresentá-lo. E se você não quiser apresentá-lo desta forma, nós arranjamos outro ator.”

O filme vazou na internet um mês e meio antes da estreia e todo mundo que assistiu se revoltou com aquele Deapool. Eu estava no México com alguns amigos e recebi uma ligação do chefe do estúdio, que disse “Você precisa pegar um avião agora. Nós precisamos regravar o final do filme.” Eu fui escroto naquele momento, porque eu respondi “Eu avisei.” Eu ainda me irrito, porque eu lembro de dizer “Sabe, existem muito mais fãs do Deadpool por aí do que vocês imaginam, e eles não vão ficar felizes com isso.” Me responderam com um argumento até plausível, que era “Nós não temos tempo suficiente para fazer um uniforme decente de Deadpool para transformá-lo numa versão real dos quadrinhos, então nós vamos lançar o personagem assim mesmo.” Mas eu respondi, “Então não lancem de jeito nenhum!”

Você é obcecado com o Deadpool desde sempre. Você estava literalmente falando sobre ele na época das entrevistas sobre Lanterna Verde.

É tipo quando seu marido ou esposa está por aí dando entrevistas e constantemente suspirando por algum ator ou atriz – pois então, isso é um problema.

Logo antes de aceitar fazer Lanterna Verde, eu escrevi uma carta pro meu executivo na Fox dizendo, “Eu vou aceitar fazer Lanterna Verde se vocês não forem fazer Deadpool. Eu estou no altar, prestes a dizer ‘eu aceito’ pra outra pessoa, mas me digam antes se vocês querem passar o resto da vida comigo, porque eu quero passar o resto da minha vida com vocês.” E eles responderam “Infelizmente, nós não podemos dar o sinal verde pra esse filme, e acreditamos que nunca poderemos.” Aí eu pensei “OK, então vou ter que seguir em frente na vida, eu acho.”

Deve ter sido inacreditavelmente satisfatório quando Deadpool foi um sucesso. Quando você ficou sabendo?

Quando os números das sessões de meia-noite de Quinta foram tão altos que eu só consegui dizer “Whoa.” Nós conseguimos ter retorno do orçamento todo do filme já na Sexta. Rola um sentimento de “vingança” com esses resultados, especialmente porque o estúdio – sejamos justos, sob diferente administração – por anos ficou nos mandando à merda.

E agora? A Fox está jogando dinheiro em vocês?

Tá maluco? Não existe isso de “Nós queremos gravar esse filme com 70 milhões,” e eles respondem “Não, nós insistimos: toma aqui 150.” Isso nunca acontece, acredite em mim. No primeiro filme parecia que, cada vez que a Fox tirava o nosso dinheiro, mais fortes nós ficávamos. Existem dois momentos no filme nos quais eu esqueço a minha bolsa de munição. Isso não é porque o Deadpool é esquecido. É porque nós não tínhamos dinheiro para as armas que precisaríamos usar naquela cena.

Parece pesado.

Eu me sentia o tempo inteiro como se estivesse dentro de uma escuna no meio de uma tempestade. Nunca parecia ter fim. Quando finalmente acabou, eu meio que tive um colapso nervoso. Eu literalmente tremia. Fui ver um médico porque eu me sentia como se estivesse sofrendo de um problema neurológico ou algo do tipo. E todos os médicos que eu via diziam a mesma coisa: “Você está ansioso.”

Por que você estava tão ansioso?

Eu digo isso com a perfeita noção do quão sortuda é a situação na qual eu estou. Mas essa atenção toda pega pesado no seu sistema nervoso – talvez seja por isso que eu moro na floresta. E eu estava fazendo um escarcéu pra chamar atenção para Deadpool. Eu não estava apenas tentando fazê-lo famoso; eu tentei criar um fenômeno cultural.

Que estranho chamar uma atenção que você não quer.

Bom, eu estou chamando atenção pro filme.

Mas você é o filme.

É genuinamente como um alter-ego que eu posso ligar e desligar.

Vida de folga
Vida de folga

Quem diria que o homem que fez X-Men Origens: Wolverine e Lanterna Verde, hoje é uma dos maiores nomes do ano de 2016. Deadpool estreou em fevereiro, arrecadou mais de US$ 780 milhões e continua faturando nas vendas de Blu-rays e DVD’s.

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Cassiano Pinheiro

Criador do Mundo Gonzo, Jornalista, apaixonado pelo mundo das HQ's e outras nerdices. Jogando na mega-sena para ficar rico e custear meus gastos em HQs. Desenhista, beatlemaníaco e louco por uma boa cerveja.