Meu último Jedi

Espero que o Luke seja mesmo o último Jedi. A Força precisa disso.

Ontem assisti o mais recente episódio da terceira, e melhor, temporada de Star Wars Rebels. Chama-se ‘Twin Suns’. E fiquei pensando cá comigo mesmo… seria Luke o verdadeiro Escolhido da Força?

Obi-Wan Kenobi enfrenta o Darth Maul em Tatooine depois que o Ezra vai lá atrás do sábio Jedi. Nos braços do Kenobi, o Sith pergunta se ali estaria o Escolhido e Ben responde que sim. Isso trouxe à tona uma porrada de questionamentos que eu, singelamente, irei descrever aqui depois de um papo maroto com o Marcelo Escudeiro, companheiro de grupos do WhatsApp de aficionados por Star Wars. Diga-se de passagem, boa parte do que está escrito abaixo foi diretamente chupado da nossa conversa.

Ficamos uma boa parte dessa tarde ensolarada do Rio de Janeiro discutindo os aspectos do final desse episódio – que mostra o Obi-Wan, na cena final, olhando a distante casa onde alguém clama por um tal de Luke e a silhueta de um raparigo de vestimenta humilde corre em direção ao que só posso imaginar ser um belo copo de leite azulado.

Escudeiro comenta que a Rey é a Escolhida, por isso o título do próximo filme da saga – Star Wars: Os Últimos Jedi. Nem acho. Aliás, torço pra que isso não seja tão óbvio assim. E como disseram que o roteiro novo tá animal, fico esperançoso que não façam o básico e deem aquela diferenciada na expectativa da rapeize.

Na real, o mais legal seria se tudo não fosse um bando de Jedi esperançosos, esperando um Messias que nunca vem. Ninguém é o Escolhido, as todos assim esperam pra sustentar a ordem das coisas. Na verdade, são como Profetas, todos bastante sensíveis à Força, que cumprem seus papéis ao longo da História mas que nunca serão (nem podem!) ser o único Messias capaz de trazer sozinho equilíbrio à Força. Porque isso, no fim, é algo impossível.

Escudeiro mandou um singelo ‘Hahahah imagina? Agora quando o Darth Maul morreu ele perguntou ao Kenobi se o Ezra era o Escolhido, ou interpretei errado?’

Sentei na farofa e decidi interpretar tudo do meu jeito. ‘Não. Ele perguntou justamente se Kenobi tava em Tatooine para achar o Escolhido. O Luke. Essa é a teoria.’ Um momento de humildade finalmente se fez presente em minha pueril mente nerd. ‘Foi o que EU entendi. Por isso um artigo aqui foi tão legal de ler. Achei o mesmo.’ O artigo em questão é esse aqui, da sempre interessante Screen Rant: http://screenrant.com/luke-skywalker-chosen-one-obi-wan-kenobi-star-wars-rebels/

Agora, de novo, reitero, seria MUITO DO CACETA se esse Messias nunca viesse. E a busca por ele, que norteia a Ordem Jedi, ficasse nisso. Numa quest quasijudaica de espera pelo Chosen One e o equilibro da Força que, na verdade, nunca acontecerá. E que esses ‘últimos Jedi’ que o título do novo filme menciona sejam mesmo só o Luke e a Rey – e que parem por aí. Que algo novo e diferente surja depois.

Escudeiro retruca: ‘Seria muito doido se isso acontecesse, mas duvido muito. Vão ter que achar um grande salvador. Estou lendo o livro dos Sith, livro recolhido pelo Luke. Ele deve saber muita coisa do Ladro Negro da Força. Por isso eu acho que ele não é o Escolhido.’

Não deixei barato. Oras bolas. ‘Mas isso é que é o mais legal. Que o Luke esteja sempre MEGA ligado ao Lado Negro e mesmo assim seja quem é. Não escolha o LN. Mas que continue totalmente ligado e próximo à ele. Essa dualidade é que é o mais legal da Força. O mais legal é o Luke ser SEMPRE confuso e em conflito.  É brigar com o SEU lado negro a todo instante. A vontade de ceder como o Kylo cedeu.’

Fico feliz que trouxe o Marcelo de volta à discussão e dúvida. ‘Putz que doido isso’, ele disse.

‘Muito fácil ser filho da puta opressor’, continuei. ‘Ter empatia, calma, tranquilidade, ordem, pacificidade… isso é difícil pracas.’ A réplica do Escudeiro veio em cima, arrebatadora: ‘E ainda não poder amar alguém também é foda e ter relacionamentos.’

É isso. Olha que vida aterrorizante a do Luke. Busquei alguma explicação pra isso. Respondi: ‘Claro. Como lidar com alguém tão atormentado mental e psicologicamente? Ninguém aguentaria.’ Continuando seu argumento pertinente demais, meu companheiro de conversa tem na sua tréplica a visão que: ‘Se Anakin não tivesse se apaixonado ele seria um excelente Jedi.’

Caceta. É isso. Rapidamente mandei um: ‘Precisamente. Se ele soubesse controlar seus sentimentos e não cedesse ao ciúme, à raiva e vingança…’

Marcelo indagou o seguinte: ‘Agora vamos aguardar o próximo filme pra saber se vão mostrar quem é o Escolhido… que duvido muito.’ Respondi que: ‘Com certeza, não. Pelo menos assim espero. Mesmo porque ou eles mostram e há a derrocada e fim dos Jedi de vez no IX, ou não faz sentido. A Saga Skywalker termina com a morte do Luke. Já houve a infeliz forçada de barra com triste morte precoce da Fisher.’

Chegou, então, a parte final do nosso papo. ‘Por ser o último Jedi, faz sentido ele morrer.’ É o que penso, e por isso disse: ‘Exato. Talvez agora a Força seja mais ambígua. E assim ela se perpetue. Personagens mais Game of Thrones e menos Senhor dos Anéis. Então o Luke tem de morrer. Aí terminam os Skywalkers a abre-se a chance da História do Universo Star Wars ser contada através de pequenos momentos.’

Acredito muito que não há mais espaço na modernidade pra essa dualidade. Pra esse Bem vs Mal. Se a Titia Disney entendeu isso, a ambiguidade será a matriz do novo Universo SW. E isso seria irado demais. Apresentar-se-á a chance de torcermos por um ‘anti-herói’ como o Tyrion. De entendermos os movimentos de uma sensitiva Daenerys, de olhar para um mal maior (além dos Jedi/Sith?) ameaçando a existência do mundo. George Lucas teve de criar um faroeste espacial. Bem e mal brigando. Mocinhos e bandidos. Isso agora mudou.

‘Isso é verdade’, disse Marcelo. Assim, terminamos nosso breve momento de questionamento da Saga Skywalker, torcendo para que os próximos capítulos nos reservem surpresas e inesperados desenvolvimentos de um mundo para o qual dedicamos tanto de nossas vidas. Difícil de ver, pois sempre em movimento está o Futuro.

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Bruno Freitas

Gosto de gibis ruins (dizem), me amarro em conteúdo nerd de todos os tipos e, aparentemente, estou aqui para falar de adaptações para a telona e telinha – salvo algumas boas exceções e vontades minhas de devaneios paralelos.