Invasão!

Crossover que reúne as séries da DC Comics é baseada uma HQ.

Heróis se unem prum jantar no Outback!Se você curte o Arrowverse, certamente já sabe do crossover que vai unir as quatro séries do universo televisivo da DC Comics. Mas você sabia que a história desse crossover é baseada em um outro, de 1988? Acredito que sim, já que você anda por essa bandas nerds da internet e está lendo isso aqui. Caso não, tira a camiseta do bazinga e vai num sebo catar a minissérie Invasão! (assim mesmo, com ponto de exclamação).

Invasão! foi publicada entre 1988-89 e reunia vários heróis da editora contra uma aliança de alienígenas que, bem, invadiram a Terra (d’oh). Aqui no Brasil as três edições saíram entre 1990-91 pela Editora Abril. A história teve seu argumento produzido pelo recém-chegado Bill Mantlo, roteirista de histórias do Homem-aranha, Micronautas, e ROM Spaceknight. Além disso, o cara é cocriador do Rocket Raccon, olha só. O roteiro ficou com Keith Giffen, mais conhecido pela “fase comédia” da Liga. A mini também contou com três desenhistas diferentes: Bart Sears, o próprio Giffen, e um novato no mundo dos quadrinhos, um tal de Todd McFarlane.

O roteiro conseguiu juntar ainda vários grupos que estavam nas mãos de Giffen na época. A já mencionada Liga da Justiça Internacional, a Legião de Super-heróis, e os Omega Men (uma espécie de Guardiões da Galáxia da DC #marvete). O lance é que diferente de outras invasões alienígenas, quem vem à Terra não é só uma raça, mas várias. A primeira edição da mini vem com um “A Aliança Alienígena” estampado logo na capa.

Só bicho feio!Tudo parte de uma raça chamada Domínions. Uns carinhas que têm bem a cara dos monstros que o McFarlane A-DO-RA desenhar. Dedos longos e bocas cheias de dentes que te fazem perguntar “como diabos esses bichos conseguem pronunciar tão bem as palavras?”. Como diz o nome, eles curtem viajar pelo universo dominando outras raças. Acontece que com o crescente número de meta-humanos na Terra, eles começam a se preocupar se isso de alguma forma vai interferir em seus planos de dominação universal. Eles convocam uma aliança entre outras diversas raças. Entre elas estão os Khundíos e Durlanianos (ambos inimigos da Legião). Além disso, vemos Thanagarianos e Daxamitas (conhecidos dos fãs do Super-homem). Os outros, meio buchas são tais de Gil’Dishpans, Psions, Cidadelanos e Okaaranos.

Cada uma dessas raças trazia um elemento à mesa. Uns eram a força de batalha, outros eram ou fornecedores de armas,  ou geneticistas, ou observadores, etc. Cada um com uma função na invasão, seja ela partir pra porrada ou estudar a espécie humana e tentar entender o que faz dela tão mutável. Em certo ponto da primeira edição, chega a ser engraçado, ver todos com medo de uma possível investida de Darkseid. A mensagem dele dizia “façam o que quiser com a Terra, só não a destruam ou sentirão a minha ira”. Claro que todo mundo diz que “tá ok, tá de boas”, né? Por que a última coisa que você quer no universo é criar caso com o Darkseid.

A história.

Mapa-múndi da desgraceira!Como todo bom tabuleiro de War, a invasão começa na Austrália. Provando que a fama de “lugar mais assassino do mundo” é só uma piada, a terra do Outback se rende facilmente. Primeiro porque ninguém contava com os Daxamitas ganhando poderes do nível do Super-homem assim que botaram os pés na Terra. Segundo porque o único herói da Austrália é um Batman de quinta categoria chamado Demônio da Tasmânia.

Na edição seguinte, abrimos com todo o mundo sendo atacado em lugares como Rússia, Inglaterra, Cuba e o Círculo Ártico. Com leves detalhes de todos os tie-ins existentes nas outras revistas da editora. O plano dos alienígenas parecia bem sólido, mas eles não contavam com a investida em massa de todos os heróis da Terra (COMO NÃO?). Destaque para a sempre fodona Amanda Waller dando um jeito de enfiar sua Força-Tarefa X no meio do bolo, aumentando ainda mais o poder de fogo dos super-heróis. Além disso, no espaço, heróis como Adam Strange infiltrados em um campo de concentração de humanos e aliens em uma das naves começam a levantar um motim.

O Aftermath.

A aliança alienígena toma uma bela duma porrada quando os Daxamitas mudam de lado graças ao Super-homem e tudo parece terminar na maior paz logo na edição #2. Mas no início da edição #3, um dos Domínions restantes, detona uma Bomba Genética no planeta. Os efeitos dessa bomba são sentidos por vários heróis ao redor do mundo, deixando-os sem o controle de seus próprios poderes. Alguns poucos não são afetados por serem humanos, ou terem a origem de seus poderes fora do campo genético. No fim, Maxwell Lord deduz que um antídoto deve existir apenas no planeta natal dos Domínions e envia uma equipe para lá. Assim sendo, Hal Jordan e Guy Gardner ficam encarregados de levar Starman, Homem-Robô, Soviete Supremo e Ajax ao mundo inimigo. No caminho, encontram os Omega Men e Super-homem e todos partem nessa missão quase suicida.

Num elaborado plano que envolve muitas idas e vindas através do espaço, e muita porrada, os heróis conseguem a receita do antídoto e sintetizá-lo à caminho da Terra. Justamente quando os maiores médicos do planeta se juntam para dizer que falharam em conseguir a cura, o Super-homem, ainda do espaço, consegue lançar o antídoto na atmosfera, salvando todos.

As reações adversas à Invasão, no entanto, se fizeram sentidas por muito tempo depois. Afetando as storylines do Flash e Super-homem, por exemplo. Na morte de integrantes da Patrulha do Destino, abrindo caminho para a reformulação de Grant Morrison. E até em algumas histórias do próprio Morrison também para o Homem-animal. Além de alterar os poderes da Fogo (nossa brasileira) e de dar poderes de controle da mente para Maxwell Lord. O que culminaria anos depois em Contagem Regressiva para a Crise Infinita.


Pontos Fortes

  • Roteiro. Tirando a extrema politicagem que toma conta da primeira edição, a minissérie tem um ritmo bacana e explora uma idéia já meio cansada de uma perspectiva um pouco diferente. Pelo menos a princípio. Tem bastante ação e bastante aparições especiais pra agradar todo mundo.

Pontos Fracos

  • Tio Todd. Eu gosto muito do Todd McFarlane, digo e repito pra quem quiser ouvir. Mas como todo artista iniciante, o traço dele ainda tava meio tosquinho nessa época. Em 1988 ele estava no mundo dos comics há uns três ou quatro anos. Mas seria só a partir de 1990 mesmo que ele definiria o seu traço super-detalhista em Spider-man #1.
  • A primeira edição da mini. Ao reler a história pra este artigo, senti que o início dela é bem focado na política da Aliança Alienígena. Tudo fica com aquele gosto meio chué, tipo em Episódio I, sabe? Quando tudo o que você quer ver é Jedi dando porrada, mas o George Lucas resolve entupir metade do filme com bloqueios comerciais e apostas em corridas. Mas passando daí é só diversão!

Galeria de Capas das edições brasileiras de Invasão!

The following two tabs change content below.

Kadu Castro

Quadrinista. Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.