Games: Nintendontem

Como o Switch não muda nada.

nintendo-switch-1Precisamos falar do Switch. Há meses, anunciaram a vinda do novo messias da Nintendo. O mundo parou.

O NX prometia mudar a bagaça toda. Aquele que viria salvar todos do desastre do Wii U. Que traria a Nintendo de volta ao protagonismo do mundo dos videogames. Tempos melhores viriam.

Eu adorei o codinome NX. Tinha ‘Nintendo’ no nome. O ‘X’ seria extra, experiência, explosão. Só ‘Super Nintendo’ pro ‘Nintendo X’. F@#$.

Sempre prefiro nomes curtos e fácies de assimilação. SNES tinha Nintendo no nome. Oras, era o SUPER Nintendo Entertainment System! Que apropriado!

nintendoswitch_hardware-0-0Há menos de uma semana chegou às ávidas mentes ansiosas esperançosas o amor. Chegou o Switch em toda sua glória multifacetada. Com seus controles destacáveis, seu CPU que também é tela e vira um super GameBoy.

Veio como um tiro certo nos corações melões da rapaziada. O grande trunfo da Nintendo é conseguir cativar e atiçar todos em torno de sua icônica marca. E talvez seja esse o maior problema.

Vejam o vídeo e me digam se algo chama atenção. É pra mim o que mais saltou aos olhos quando o vi.

Repararam? Hein? Não tem UMA criança! Todos os que jogam são hipsters com 30 anos ou jogadores e eSports. Não tem NENHUMA menção à família. Foi muito gritante, pra mim, a forma como mudaram o alvo de tudo aquilo que sempre representaram.

Partiram pro certeiro pressuposto que Nintendo é nostalgia. Que a marca sobrevive pela base de fãs que, hoje, tem seus 30. Que jogaram Mario quando ele foi lançado. Esqueceram a revolução que causaram ao trazer os casual gamers pro mundo dos videogames com o Wii.

Assumiram então que, na real, eles querem mesmo são os Geração XY com bufunfa pra gastar em jogos de gráficos claramente ultrapassados, buscando a simplicidade e usabilidade para justificar seu papel no mundo.

Mas se para o Wii eles conseguiram trazer a interatividade e a família pra dentro do ecossistema de videogames, o que dizer do Switch? Ele serve exatamente pra quê? Que ele é bonito e interessante, disso ninguém é capaz de discordar.

Mas, oras, ele vale a pena? O que de diferente uma tela um pouco maior (um Samsung Note que não explode e agora virou crime levar num avião, vai) com controles ao lado, um stand a la Surface, conectividade sem fio que sempre existiu entre aparelhos… cês entenderam. Ele não faz nada novo. E nem é inovador.

Olhem o Morphus X300. Já existe. É chinês. E é deveras parecido com o Switch. Não tem a máquina midiática da Nintendo, mas tá lá. Parecido pra caceta com o Switch. Então cadê a novidade?

Pra que se dar o trabalho de buscar uma nova forma de entregar conteúdo se, bem, você vai ou copiar o que algum chinês já está fazendo ou voltar a entregar, como no Wii U, uma qualidade de jogos inferior num sistema que não só não se compara em termos de potência e versatilidade existentes no (fraquíssimo) Xbox One ou no (fantástico) PS4, com seu PS Move e agora o PS VR, que até já está a venda?

Cadê a forte interatividade e diferencial competitivo quando a Sony tem um aparelho melhor, mais potente, com mais jogos e, com o advento da realidade virtual, consegue te entregar uma experiência sem igual de imersão e interação? Não sou só eu questionando isso. Total tiro no pé continuar a buscar fazer consoles de pior performance sem qualquer inovação real de jogabilidade e usabilidade.

Não te entendo, Nintendo.

The following two tabs change content below.

Bruno Freitas

Gosto de gibis ruins (dizem), me amarro em conteúdo nerd de todos os tipos e, aparentemente, estou aqui para falar de adaptações para a telona e telinha – salvo algumas boas exceções e vontades minhas de devaneios paralelos.
  • Berta

    Na mosca. Me incomodou demais a Nintendo decidindo que agora o público é assalariado nostálgico. Tirando que é uma tralha desgraçada. Se for a versão completa, acho que tem uns sete ou oito pedaços de hardware. E a gota d’água: CARTUCHO!