Dust

Sobre uma banda sensacional e álbuns de figurinhas dos anos 80

Não me lembro exatamente quando resolvi procurar o Dust no Spotify. Mas decidi escolher a banda como pauta desse meu primeiro texto do ano, sobretudo porque foi uma das trilhas mais tocadas na minha viagem de final de ano que fiz com grandes amigos. Mas afinal, que diabo de banda é essa? Pois continuem aqui comigo que eu conto.

Nos anos 80 foram lançados no Brasil 2 álbuns de figurinhas com bandas de rock, principalmente heavy metal. Um deles era o Rock Stamp, e do outro, sinceramente, não lembro o nome. O fato é que eu tive esses álbuns, e uma das figurinhas que mais me chamava a atenção trazia a capa do disco ‘Hard Attack’, de uma tal Dust. A ilustração, de um realismo impressionante, mostrava três anos com armaduras a lá Conan, combatendo em uma montanha, com partes dos pés enterrados na neve.  Eu era criança, devia ter uns 7 ou 8 anos, e além das figurinhas meu acesso a essas bandas ficava restrito aos programas de videoclipes que passavam na TV. Como do Dust não tinha nada na TV, fiquei só com a imagem mesmo.

Só vim ouvir falar na banda outra vez quando assistia, nos anos 90, à MTV brasileira. Em alguma edição do Fúria Metal, programa apresentado pelo Gastão Moreira, eis que surge na tela a inesquecível capa, e uma informação adicional que aguçaria ainda mais minha curiosidade: o baterista do Dust, Marc Bell, mais tarde viria a ser Marky Ramone, segundo baterista dos Ramones, que substituiu Tommy Ramone em 1978 e depois voltou, com a saída de Richie Ramone, e permaneceu com a banda até seu final, em 1996. Fiquei curiosíssimo pra saber como era o som dessa banda em que Marc iniciara sua carreira. Com aquele bando de anos gladiadores o negócio só podia ser pesado, e lá fui eu atrás.

O Dust foi formado em 1968, nos Estados Unidos. Nessa transição da década de 60 para 70 surgiram algumas das bandas mais importantes da história do rock, já que não se contentavam com a sonoridade dos anos 60, queriam fazer algo mais pesado, mas faziam questão de manter a beleza das melodias da década que terminava. São desse período, só pra citar algumas que tiveram mais sucesso comercial, o Led Zeppelin, o Black Sabbath e o Deep Purple, as três formadas exatamente em 68. O que faz do Dust tão peculiar é justamente o fato de os caras serem americanos, já que esse movimento que culminaria no que conhecemos hoje como Heavy Metal aconteceu predominantemente na Inglaterra.

A carreira da banda foi curta. Lançaram só dois discos, o primeiro em 1971, levando o nome da própria banda, e o segundo, ‘Hard Attack’, no ano seguinte. O som é prato cheio pra quem curte o rock pesado do final dos anos de 1960. Se você é chegado nas bandas que eu já citei e em The Who, Uriah Heep, Nazareth, The Guess Who, Grund Funk e correlatos, simplesmente não pode deixar de ouvir o Dust. Os dois discos estão compilados, no Spotify, em um único álbum, sendo que na ordem das faixas vem primeiro ‘Hard Attack’, depois o álbum de estreia.

Completavam a formação da banda o baixista Kenny Aaronson e o guitarrista/vocalista Richie Wise. Nenhum dos dois teve uma carreira tão prolífica quanto a de Marc como músicos. Eles continuaram no meio, tendo, entre outras atividades, produzido os dois primeiros discos do Kiss, o que não é pouco.

A tal imagem de ‘Hard Attack’, que ilustra esta postagem, continua sendo uma das minhas capas de disco favoritas. O trabalho é de Frank Frazetta, um dos papas da ilustração de fantasia e ficção científica. Deem uma olhada no portfólio dele e vocês vão entender do que estou falando. E como é bom saber que dentro da capa te um baita disco. Ouçam alto! Até semana que vem. A gente se esbarra aqui no Mundo Gonzo.

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Igor Oliveira

Pai orgulhoso, nerd fervoroso, cosmopolita convicto. Com três anos de idade passava o dia trocando aquelas fantasias antigas de super-heróis. Hoje, aos 38, é pai do Pedro e namorado da Marina. Coordenou o projeto Geek.Etc.Br na Livraria Cultura e estreou como roteirista de quadrinhos no final de 2016, no projeto Pátria Armada - Visões de Guerra.
  • Leonardo Barzi

    Bom dia, Igor. O outro álbum era Rock Attack 😉