Doutor Estranho

Vale à pena acompanhar a primeira revista solo do Mago Supremo lançada no Brasil?

Para o bem e para o mal, os universos cinemáticos de quadrinhos tem ditado as tendências do que acontece na publicação das revistas. No lado negativo da coisa tem, por exemplo, a contenda entre Marvel e Fox sobre o Quarteto Fantástico, que acabou limando o supergrupo mais tradicional da Casa das Ideias do mundo das publicações. Mas falando do lado bom da história, seria impensável há 5 ou 10 anos termos por aqui revistas periódicas da Mulher Maravilha ou do Doutor Estranho. Ambos agora têm suas próprias publicações também lançadas no Brasil, evidentemente por conta da relevância que os personagens ganharam com o lançamento de filmes, e vou contar um pouquinho como está o material do Mago Supremo da Terra.

O primeiro número da nova revista protagonizada por Stephen Strange saiu no Brasil em dezembro de 2016. Como bem lembra no prefácio o editor Pedro Catarino, responsável pela publicação, o personagem nunca tivera material próprio no país até então. Aquele desejo incontrolável de comprar revistas mês a mês (sem ser encadernado completo), mais a possibilidade de começar uma nova coleção a partir do primeiro número, me fizeram comprar e experimentar, e estou curtindo muito. Comandam a empreitada o roteirista Jason Aaron, o desenhista Chris Bachalo, e os arte-finalistas Tim Townsend, Al Vey e Mark Irwin.

Aaron é um dos caras do momento na Marvel. Além dos roteiros de Dr. Estranho, comanda também as histórias da revista Star Wars e do Thor.  O roteirista conduz o arco atual do Mago Supremo quase que o tempo todo com um monólogo do personagem direcionado ao leitor, entremeado dos diálogos de Strange e os personagens com quem interage. Apesar de um tom de humor e uma linguagem mais popular e menos rebuscada (o que destoa um pouco do que acostumamos a ler do personagem), a condução da história é boa e envolvente. Strange luta com uma força desconhecida que quer acabar com a Magia em todo o Universo. Quando o confronto chega à Terra acaba por envolver também outros magos, como a Feiticeira Escarlate, o Irmão Vodu e Magia.

A arte é um show à parte. Sempre gostei muito de Chris Bachalo, desde sua época desenhando os Novos Mutantes. Há quem ame ou odeie seu traço, e quem torce o nariz geralmente é mais chegado em material super-realista. De fato, seu trabalho com anatomia pende muito para um desenho mais cartunesco, até um pouco próximo do mangá. Essa veia, digamos, mais lúdica e menos realista fica evidente (e faz toda a diferença) nos contextos e cenários que cria. Os momentos em que retrata Strange andando por Nova Iorque e ao mesmo tempo vendo as criaturas da dimensão da magia interagindo com as pessoas, são espetaculares. As escolhas de cores são certeiras, e o trabalho dos arte-finalistas Tim Townsend, Al Vey e Mark Irwin também é muito bom.

Já foram lançados 5 números da revista do Doutor Estranho no Brasil. Como cada um tem o conteúdo de 2 revistas americanas, no número 5, lançado em abril passado, temos o conteúdo das edições americanas de números 7 e 8. Estamos, então, lendo o material publicado em abril/maio de 2016. Mesmo que sempre haja esse delay chatinho, com essa publicação de dois em dois números logo estaremos mais próximos do material original. E é tanta coisa que a gente tem pra ler que isso é um detalhe que, na minha opinião, passa, já que o bom conteúdo compensa. A chapa tá esquentando pro Mago Supremo e seus amigos e não vejo a hora de ler a continuação da história. Que Vishanti os acompanhe, e até a próxima!

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Igor Oliveira

Pai orgulhoso, nerd fervoroso, cosmopolita convicto. Com três anos de idade passava o dia trocando aquelas fantasias antigas de super-heróis. Hoje, aos 38, é pai do Pedro e namorado da Marina. Coordenou o projeto Geek.Etc.Br na Livraria Cultura e estreou como roteirista de quadrinhos no final de 2016, no projeto Pátria Armada - Visões de Guerra.