Doutor Estranho – Triunfo e Tormento

E tem o Doutor Destino também.
Doutor Estranho e Doutor Destino - Triunfo e Tormento
Capa brasileira de Triunfo & Tormento

E aí, galera? Beleza? Estou de volta aqui no Mundo Gonzo pra relembrar os áureos momentos dos quadrinhos de antigamente.

Aproveitando a estreia de Doutor Estranho nos cinemas esta semana, resolvi tirar o pó de uns gibis que estavam beeem lá no fundo do baú. No fundão mesmo. Tão fundo, que quando tirei a Graphic Novel de lá, tal qual um tomo de livro antigo, juro que pude escutar ao longe a musiquinha do Zelda. Vamos então ao encontro de dois dos maiores doutores do universo Marvel. Doutor Estranho e Doutor Destino.

A revista é Triunfo & Tormento e saiu aqui no Brasil em 1991. Nos EUA, ela foi publicada em 1989 e foi escrita pelo lendário Roger Stern e desenhada por ninguém menos que Mike Mignola (que na época ainda assinava como Michael). Dá muito gosto de reler a história agora e ver os desenhos do cara pré-Hellboy. Ainda mais considerando a trama, onde os dois vão até o Inferno para salvar a mãe do Doutor Destino. Stern não fica atrás, claro. Lembro dele escrevendo várias histórias em A Teia do Aranha, que eu curtia muito. O roteiro é bem intrincado e amarrado, viajando pelas origens de ambos os personagens e aprofundando as idéias de misticismo que os envolvem. Rola até um retcon de leve na clássica origem do Destino, escrita por John Byrne. No fim, apesar de Stephen Strange ser o herói, a história parece mesmo ser do monarca da Latvéria.

Agora já sei porque ele precisa do "Manto da Levitação".
Não à toa, o Doutor “Estranho” dorme pelado!

Ela começa bem morna, aliás. Somos apresentados ao Velho Genghis, uma espécie de “Ancient One”, só que… mais velho. Assim, absurdamente mais velho. Tão velho quanto a própria Humanidade, sabe? Só que além de sábio e super sarado, ele é meio caduco, e vive em uma caverna perdida no meio do Tibete. Tudo começa com ele contando para o seu servo como conheceu Victor Von Doom e Stephen Strange, despertando para a lucidez que o acomete a cada centena de anos. Ele sai em disparada para um templo mágico perdido no meio da Indonésia e de lá emite um chamado para todos os feiticeiros mais poderosos do mundo. Claro que ele não diz o que pretende, mas exige que todos compareçam o mais rápido possível. O chamado chega à noite para Strange e somos revelados ao TERRÍVEL FATO de que o Doutor Estranho dorme pelado. ( ͡° ͜ʖ ͡°)

Bom, no dia seguinte todos os feiticeiros mais poderosos do mundo estão no local e os últimos a chegar são Estranho e Destino (agora que parei pra pensar que “Estranho Destino” parece nome de novela). Lá, o Velho Genghis conta qual o propósito disto tudo. É basicamente um torneio para saber quem será o Mago Supremo da Terra!

Mas PERAÊ! – Você me pergunta – O Doutor Estranho JÁ NÃO É o Mago Supremo?

Bom, sim. Mas aparentemente esse é um título que ele deve defender, tipo o cinturão dos peso-pesados. O Velho Genghis não convence todo mundo logo de cara, então ele simplesmente vira o avatar de Vishanti e meio que todo mundo aceita participar! Se você não sabe quem é Vishanti, em primeiro lugar, DESONRA! Desonra pra tu, desonra pra sua vaca! Em segundo lugar, Vishanti é a fonte de poder da maioria dos magos do universo marvel. Eles funcionam como uma santíssima trindade, formada por Osthur, Hoggoth e Agamotto (sim, aquele do olho). Torneio? Teste? Nesse ponto qualquer um poderia já estar se achando enganado com a história. Mas não pára aí. O teste ocorre até bem rápido, sabe? E o vencedor, claro, acaba sendo o Doutor Estranho. E é aí que vem a pegadinha!

Quem mexe com fogo infernal, acaba queimando pela eternidade.
Mefisto não está pra brincadeira!

Ao manter seu status como Mago Supremo pelas mão de Vishanti, ele deve conceder uma Graça a qualquer um dos outros feiticeiros que não tenham sido derrubados durante ao teste também. O lance é que a única outra pessoa que não sofreu com os ataques foi quem? Doutor Destino. Isto posto, Strange não curte muito a idéia de “conceder um desejo” a um vilão. Mas Von Doom, muito ofendido, diz que não “precisa da ajuda de ninguém pra conquistar o mundo”, e que já que é pra aceitar uma graça por conta do desafio, tem pelo menos uma coisa na qual ele talvez precisasse de ajuda.

Salvar a alma da mãe dele das mãos de ninguém menos que Mefisto.

#@&$%@! Strange fica boladíssimo com o pedido, mas a regra é clara, Arnaldo. Ele topa ajudar Von Doom e os dois partem para a Latvéria para encarar ninguém menos que o diabo em pessoa. Lembra quando eu comentei que apesar do Doutor Estranho ser o herói, a história é realmente sobre o Doutor Destino? É aqui que a trama começa a pender mais pro lado dele. Temos mais um backstory sobre o seu passado e sobre como a mãe dele perdeu a alma num pacto com Mefisto, em troca de poderes para salvar seu povo cigano. Cynthia Von Doom não sabia que se tornaria uma bruxa poderosa, mas sem controle algum sobre seus poderes. Ela morre em seguida, e Destino passa a vida inteira pesquisando, da magia à ciência, maneiras de salvar a alma de sua mãe. Algo que invariavelmente o leva a se tornar o vilão que hoje conhecemos.

Sem querer estragar demais o final, que é exatamente isso que você está pensando, a história tem algumas reviravoltas e uns insights sobre a personalidade do Doutor Destino que aprofundam bem mais o personagem. Além dessa coisa maniqueísta de “vilãozão do mal”, sabe? Tem orgulho, tem soberba, mas tem vergonha e humildade ali no meio também. Não à toa, o cara é considerado O cara mau da Marvel. Vale a (re)leitura!


PONTOS FORTES

  • Roger Stern sabe escrever um roteiro forte. E sabe desenvolver bem os personagens que usa. E sabe também como acrescentar os temidos retcons de uma maneira que não ofende ninguém! Pouca gente sabe fazer isso.
  • Mike Mignola, cara. Juro que eu nem lembrava que era ele desenhando essa graphic novel, foi uma surpresa quando revi a capa e reconheci o nome dele. Aparentemente ele já estava “estagiando” pro Hellboy nessa história e manda benzaço nuns painéis de página inteira mostrando toda a grandiosidade de Mefisto.

PONTOS FRACOS

  • Talvez o início meio morno da história. Ainda acho muito boa de cabo a rabo, só botei isso aqui pra não parecer que eu sou muito parcial.
As Splash Pages de Mignola pro Mefisto são sensacionais!
As Splash Pages de Mignola pro Mefisto são sensacionais!
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Kadu Castro

Quadrinista. Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.
  • Pô, Kadu no MG, que beleza!! Não vou deixar de matar aquela saudades dos quadrinhos antigos como fazia no AV. Sucesso! Aproveito pra dar a dica de “Dr Strange: The Oath” que saiu na coleção da Salvat como “Dr Estranho – O Juramento” e a Panini tá com ela engatilhada pra lançar nas bancas já já.

    Abraços.

    • Eu tava pra falar até desse “O Juramento” também, Tibério! Mas eu ia ter que fingir que li, hahahah! Assim que sair pela Panini eu vou procurar.

      • Vi nas bancas essa semana. 😉