Agents of Z.Z.Z.

Agentes da S.H.I.E.L.D. não é uma série coesa, forte e relevante

Aviso: desculpem os vários links em inglês. Leio muita coisa lá de fora. 


A quarta temporada tá chegando
A quarta temporada tá chegando

A notícia bombástica de que nosso querido Agente Phil Coulson não tinha morrido (spoiler!) depois do primeiro Vingadores da telona foi recebida com aquela enfática vibração nerd de quem vos escreve. Depois de uma presença breve tão batuta no Homem de Ferro, Coulson foi crucial para a narrativa do filme e se transformou na liga (Liga? Entenderam?!) que uniu os Vingadores.  Adorei também a chance de ter mais uma razão pra ver na telinha qual seria a nova aventura do marido da velha Christine.

As inúmeras e naturais expectativas exacerbadas do que seria essa do ABC Studios, parte do conglomerado ABC Disney, cuja dona, Disney, é dona da Marvel (capitalismo!), exibida no canal aberto ABC foram bem fortes e, diria, óbvias. Como traduzir o Universo Cinematográfico Marvel para uma estrutura linear e longa na telinha? Afinal, as ações acessórias ligadas à ação principal de uma narrativa ou de uma obra literária ou artística precisavam ser bem construídas! O que imaginar de uma intrépida trupe cujo protagonista é um personagem tangencial e não há qualquer menção da presença das referências da telona, agentes Maria Hill e Nick Fury? Dúvidas… dúvidas…

Não querendo me alongar, mas já o fazendo, a primeira temporada foi, digamos, uma de aprendizado para todos os envolvidos. Resenhas de muita gente melhor qualificada pra dar opinião sobre a série também acharam isso. Tratava-se da primeira tentativa da Marvel de adaptar seu conteúdo do Universo Cinematográfico para a estrutura de tevê, então compreensivelmente viu-se um arco que, caceta, demorou muito para começar a fazer sentido. Saíram enfiando informações cruciais para o entendimento do papel da Hydra no Capitão América 2, mas tudo ficou muito convoluto e forçado pra parecer com que a série tivesse de explicar algumas coisas nos filmes pra ela poder existir. Somente após o episódio 17, imaginem!, foi quando algum tipo de fechamento de arco começou a justificar tanta expectativa em torno da série, seus personagens meio fracos (salvo o Coulson e a May) e sua incapacidade de se entender se a série seria uma versão de aventura, policial ou processual.

Na minha ansiedade atroz, esperar tantos episódios pra ver o que ia dar demonstra minha sincera e irrestrita fortitude mental e física para esperar que algo decente acontecesse. Vide meus cinco ou seis episódios assistidos de Arrow, Supergirl, Legends of Tomorrow. Juntos. Só gostei mesmo foram os dois últimos episódios do Flash da temporada passada. Dirigidos pelo Kevin Smith, acabei esbarrando neles porque li muito sobre a participação do diretor.

inhumans-quiz-featuredSe depois de terminarem bem a complicada primeira temporada, deixando algumas boas respostas no ar,  a segunda temporada trouxe alguns amigos pra dentro da jogada. Desde a descoberta do corpo Kree e da realização que o Agente Coulson tinha sobrevivido ao ataque do Loki por causa de um experimento com o alienígena, a Daisy – antes uma hacker talentosa e membro da SHIELD que servia de foco para o telespectador grudar nela e torcer pro seu sucesso – acaba se tornando a Tremor, uma Inumana. Ainda bem que houve um espaço de meses entre o episódio final de meia-temporada bombástico cheio de revelações e a outra metade da temporada. Deu espaço para criarmos altas teorias sobre a existência dos Inumanos, sua participação no Universo Marvel tanto do cinema quando numa encruzilhada de narrativas com os filmes na telona. Ao fim, a série nos trouxe um clímax digno de um valor digno de respeito no cenário de televisão norte-americano. Rufam os tambores e finalmente temos uma série que pode resolver esse elo entre o cinema e a tevê para a Marvel.

Essa temporada que passou, a terceira, solidifica a posição dos Inumanos no mundo, reapresenta personagens, desenvolve outros, mas começa a brincar com viagens espaço-temporais, mundos paralelos e alienígenas, um gigantesco arco pseudoamoroso entre o Fitz e a Simmons… acenderam-se os alarmes pra esse rapaz aqui detrás do teclado, escrevendo esse bando de palavras aqui. Aliás, meus parabéns por terem chegado até aqui. Já estamos em quase setecentas palavras e é bastante impressionante vê-los aqui comigo ainda. Agradeço de coração a paciência e audiência.

Acontece que, ao basear muito de sua razão de existência na liderança do Agente Coulson e no carisma da Daisy (Tremor), o show ficou cada vez mais preso à esses dois e, quando houve espaço para desenvolverem outros ótimos personagens como Morse e Hunter (no infelizmente natimorto Marvel’s Most Wanted), decidindo pelo desenvolvimento do Hive, um vilão não muito interessante, uma implicante necessidade de transformar a Daisy em heroína (foi mal, ela não é), uma hora botar o Coulson como líder, depois tirar inúmeras vezes a liderança da SHIELD dele, apresentar uns vários militares e políticos que nada acrescentam… bom, a terceira temporada poderia ter crescido e transformado a série em algo fundamental para ligar os filmes Marvel. Não aconteceu. Não foi um desastre, mas não foi legal. Fiquei confuso para o que vinha pela frente nessa nova temporada.

Aí me aparecem com esse clipe e fico INSANO de felicidade…

Tudo isso pra descobrir, assustadoramente, que o Motoqueiro Fantasma é o da versão Earth-616. Garanto que, agora, teremos de chamá-lo de Ghost Rider – a la Ursinho Pooh e não Puff, Tinker Bell e não Sininho, Star Wars e não Guerra nas Estrelas. Aconteceu. Tem gente que ficou animada, mas eu não gosto do Roberto Reyes como personagem nos gibis, e em quatro episódios dele na série sei por quê. Porquê ele é chato. A Daisy é chata. Até o Coulson tá chato. Tá tudo chato.

Usar o novo Rider pra trabalhar elementos sobrenaturais pro Universo Marvel é até compreensível, visto que Doutor Estranho tá chegando aí, mas precisava ser assim? Tá tão enfadonho… a Daisy não se acerta nem tendo vazado da SHIELD depois dos acontecimentos que fecharam a última temporada e ela ter perdido sua trupe de Inumanos. Há quem diz que esse arco da Daisy e seus Inumanos é o que iria dar futuro à série, mas eu não. O fato da Hydra ser eterna e também permitir com que ela eternamente fique contra a SHIELD é pra mim a razão pela existência da série. O que incomoda mais são esses malditos Inumanos!

agents-of-shield-199348-1280x0Já está mais que claro que, com o cancelamento do filme dos Inumanos, agora no limbo pós-2020 da Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel, o desenvolvimento da alternativa dos X-Men sem tanto carisma e poderes piores virou o foco da série. Entendo perfeitamente que toda a narrativa da série é e sempre foi o crescimento da Daisy como personagem. Ainda assim, não precisava ser só isso. Imagino que ela ter perdido numa porrada só sua equipe foi uma decisão dos roteiros de parar com essa putaria de tantos Inumanos. Deu até aquela esperança que as coisas poderiam melhorar nessa quarta temporada. Mas não, agora a porrada agigantou, tem muita política envolvida, opinião pública tá tremenda em cima dos mutantes alienígenas… urgh. Chato. Chato. Chato. Todo mundo tá achando isso.

Sempre vi a série mais como uma proposta um tanto procedural drama, gênero tão forte e clássico na tevê americana, com uma pitada de aventura e série policial e de intrigas políticas. O que tem acontecido é uma mistureba de tantas coisas que, como única série que de fato toca nos filmes e mostra um conteúdo que pode ser levado em conta pra servir de elo entre as trilogias dos heróis Marvel na telona, eles acharam nos Inumanos a fonte básica de todo o seu argumento de existência e, com isso, hoje trabalham de forma visceral o ÚNICO conteúdo não explorado no cinema pela Marvel! Santa incoerência, Batman!

wonderconposter-1Existe um papo persistente que essa quarta temporada será a última. E que a ABC, apesar de Disney, sob a tutela do Channing Dungey tá pouco se importando pro conteúdo Marvel se ele não performar. Eu entendo, mas lamento. Lamento não termos uma série coesa, forte, relevante e que trabalhe o conteúdo extra-cinema de forma a apresentar, todas as semanas, um gostinho do que ficamos insanos esperando ver na telona quando nossos heróis prediletos se degladiam por nossos ricos dinheirinhos e precioso tempo. Queria ter toda semana uma razão pra ter mais informação, entender melhor o elo entre os filmes, saber que fora do Universo Cinematográfico Marvel possa existir um Universo Televisivo Marvel, entupido de conteúdo e personagens, histórias e intrigas, desenvolvimento de narrativas que permitam o fanboy aqui curtir tudo aquilo que sempre quis – um tantão no cinema e outro tantão na tevê.

Por enquanto, persisto no erro. Não desisto da série porque, bem, é ela ou nada. Acabou Agent Carter. As super bem-produzidas produções Marvel no Netflix dos Defensores são paralelas, tangenciais ao universo que a Disney desenvolve através da Marvel. Se formos acreditar nos rumores de compra da Netflix pela Disney, aí sim teremos como exigir um alinhamentos supremo de tudo quanto é conteúdo marvelesco. Até lá, estarei aqui, vendo a Daisy ser inapta, o Coulson perdido, o Fitch e a Simmons uns fofos, a May meio sei lá e o resto da série, bem, conversamos em Maio de 2017 quando essa temporada, provavelmente chata, terminar.

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Bruno Freitas

Gosto de gibis ruins (dizem), me amarro em conteúdo nerd de todos os tipos e, aparentemente, estou aqui para falar de adaptações para a telona e telinha – salvo algumas boas exceções e vontades minhas de devaneios paralelos.